quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Venezuela: armar o proletariado para derrotar o golpe

O governo do presidente Nicolás Maduro vem enfrentando uma tentativa de golpe do imperialismo norte-americano e da burguesia entreguista venezuelana, bastante semelhante ao consumado contra a presidenta Dilma Rousseff  no Brasil em 2016.

Na Venezuela, ao contrário do que ocorreu no Brasil, apesar das vacilações, há certo um enfrentamento por parte de Maduro, ao contrário do Brasil, onde Dilma e a direção majoritária do PT (CNB – Construindo um Novo Brasil), não esboçaram nenhuma reação e capitularam praticamente sem luta perante aos golpistas, limitando-se a uma oposição parlamentar e eleitoreira, embora houvesse (e haja) muita disposição de luta das bases petistas e da população, que inclusive saíram às ruas de forma empírica e espontânea contra o golpe e fizeram uma greve geral no dia 28 de abril de 2017.

Como no Brasil desde 2013, o imperialismo norte-americano e a burguesia entreguista brasileira sabotaram a economia brasileira, aplainando o terreno para o golpe. Aproveitaram a política de conciliação e colaboração de classes do PT, a política de alianças com partidos burgueses, e impuseram o ex-ministro Joaquim Levy para fazer trabalho de sapa na economia.

Na Venezuela, embora sem as facilidades encontradas no Brasil, o imperialismo norte-americano e a burguesia entreguista venezuelana tentam fazer a mesma coisa e sabotam a economia da Venezuela.

Expropriações são comuns no país desde o governo do presidente Hugo Chávez (1999-2013). Com a chegada de Maduro ao poder, a crise de escassez, a falta de moeda forte e a inflação, os confiscos se tornaram mais corriqueiros.” (21/04/2017).

A General Motors, empresa norte-americana, foi expropriada pelo poder judiciário da Venezuela.

Anteriormente, durante o governo Chávez, foram expropriadas a Exxon Mobil e a Cargill, empresa de alimentos. No governo Maduro, foi expropriada a Kimberly-Clarke,

A Tendência Marxista-Leninista apoia as medidas concretas do governo Maduro contra os golpistas, como a expropriação da GM, mas não deposita nenhuma ilusão no programa político nacionalista burguês de Maduro.

Todavia, a ponderação de Leon Trotsky, no Programa de Transição da IV Internacional, continua válida:

“(...) Entretanto, é impossível negar categórica e antecipadamente a possibilidade teórica de que, sob a influência de uma combinação de circunstâncias excepcionais (guerra, derrota, quebra financeira, ofensiva revolucionária das massas etc.), os partidos pequeno-burgueses, inclusive os estalinistas, possam ir mais longe do que queiram, no caminho da ruptura com a burguesia. Em todo caso, uma coisa está fora de dúvida: se mesmo esta variante pouco provável se realizasse um dia, em algum lugar, e um “governo operário e camponês” no sentido acima indicado se estabelecesse de fato, ele representaria somente um curo episódio em direção à ditadura do proletariado.”

A TML defende o armamento do proletariado venezuelano para enfrentar aos golpistas, como também a expropriação total do imperialismo norte-americano, da burguesia, dos camponeses ricos e dos latifundiários venezuelanos, a expropriação das fábricas, das empresas, dos bancos,  das terras, das empresas agrícolas, com reforma e revolução agrária, expulsão do imperialismo, rumo à revolução proletária e à instauração de um governo operário e camponês.

Para tanto, os partidos e organizações operárias, marxistas e revolucionárias da Venezuela devem buscar a unidade e construir um poderoso partido operário revolucionário.

Na verdade, como no Brasil, na Venezuela há um golpe em marcha, onde a burguesia entreguista e o imperialismo norte-americano buscam depor o governo bolivariano de Nicolás Maduro, com objetivo semelhante ao do Brasil, porque a Venezuela é rica em petróleo, sendo uma dos principais países exportadores. Ou seja, o imperialismo, através da americana Chevron e da britância Shell, quer se apoderar do petróleo e das riquezas venezuelanas.

Como noticiado, o golpe em andamento na Venezuela é bem parecido com o do “impeachment”/golpe brasileiro, só que lá se chama “referendo revogatório, isto é, o mesmo modus operandi do Departamento de Estado, da CIA e do FBI:

“Nicolás Maduro é alvo de um pedido de referendo revogatório feito pela coalização opositora, a Mesa de Unidade Democrática (MUD), para retirá-lo do poder.(...)” (Folha de S. Paulo, 18/8/2016).

Além disso, igual está acontecendo no Brasil, a Venezuela sofre os reflexos da crise capitalista mundial de 2008, que também de forma retardatária chegou aos nossos vizinhos e a toda América do Sul.

Ainda, a Venezuela está sendo atacada no Mercosul, como aconteceu recentemente na reunião de Mendoza, na Argentina, pelo governo autoritário pró-imperialista de Mauricio Macri, da Argentina, e pelo governo golpista de Michel Temer, do Brasil, por meio do tucano usurpador  e golpista pró-imperialista José Serra.

A Tendência Marxista-Leninista faz frente única com o governo bolivariano de Maduro contra os ataques da burguesia entreguista e do imperialismo norte-americano, porém adverte que os governos nacionalista burgueses costumam capitular perante o imperialismo, como o Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR), da Bolívia; o APRA, no Peru; e o peronismo na Argentina.

A própria estratégia de Nicolás Maduro aponta nesse sentido, quando diz buscar “paz, diálogo e prosperidade.”, ou seja, uma política de conciliação.

Além disso, no final de semana passado, foi eleita uma Assembleia Constituinte na Venezuela, todavia houve impedimento da participação de partidos operários e da esquerda revolucionária.

A Tendência Marxista-Lenista entende que o que está colocado na Venezuela é o armamento do proletariado e dos camponeses para esmagar o golpe da burguesia entreguista e do imperialismo norte-americano:

 “De acordo com a magnífica expressão do teórico militar Clausewitz, a guerra é a continuação da política por outros meios. Esta definição também se aplica plenamente à guerra civil. A luta física não é senão um dos "outros meios" da luta política. É impossível opor uma à outra, porque é impossível deter arbitrariamente a luta política quando se transforma, pela força de suas necessidades internas, em luta física. O dever de um partido revolucionário é prever a inevitabilidade da transformação da luta política em conflito armado declarado e preparar-se com todas as suas forças para esse momento, como para ele se preparam as classes dominantes.

Os destacamentos da milícia para a defesa contra o fascismo são os primeiros passos no caminho do armamento do proletariado, e não o último. Nossa palavra de ordem é: "Armamento do proletariado e dos camponeses revolucionários". A milícia do povo, no fim das contas, deve abarcar todos os trabalhadores. Não será possível cumprir esse programa completamente, a não ser no Estado operário, para cujas mãos passarão todos os meios de produção e, conseqüentemente, também os meios de destruição, isto é, os armamentos e todas as fábricas que os produzem.

No entanto, é impossível chegar ao Estado operário com as mãos vazias. Somente os políticos inválidos, do tipo de Renaudel, podem falar de uma via pacífica, constitucional, para o socialismo. A via constitucional está cortada por trincheiras ocupadas pelos grupos fascistas. Há muitas dessas trincheiras diante de nós. A burguesia não vacilará em provocar uma dúzia de golpes de Estado para impedir a chegada do proletariado ao poder. Um Estado operário socialista não pode ser criado senão por uma revolução vitoriosa. Toda revolução é preparada pela marcha do desenvolvimento econômico e político, mas é decidida sempre por conflitos armados declarados entre as classes hostis. Uma vitória revolucionária não é possível a não ser graças a uma ampla agitação política, a um amplo trabalho de educação, uma ampla tarefa de organização das massas. Mas o próprio conflito armado também deve ser preparado com muita antecedência. Os operários devem saber que terão de bater-se numa luta de morte. Devem querer armar-se, como garantia de sua liberação. Em uma época tão crítica quanto a atual, o partido da revolução deve pregar aos operários, incansavelmente, a necessidade de armar-se e de fazer tudo o que possam para assegurar, pelo menos, o armamento da vanguarda proletária. Sem isso, a vitória é impossível.” (Leon Trotsky, “Aonde vai a França?).

Assim, cumpre aos marxistas revolucionários venezuelanos organizar imediatamente um partido operário marxista revolucionário, que busque organizar de forma independente e armar o proletariado e os camponeses venezuelanos para esmagar o golpe da burguesia entreguista e do imperialismo norte-americano.

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