terça-feira, 29 de agosto de 2017

Nota de apoio e solidariedade à companheira Julia Martin

A Tendência Marxista-Leninista, que conta entre seus simpatizantes com muitos militantes do Partido dos Trabalhadores, teve notícia da Carta Aberta da companheira Júlia Martin, presidenta do Diretório Municipal de Taubaté, onde é relatado o boicote do Diretório Estadual do PT à sua participação numa reunião entre o presidente do Diretório Estadual, Luiz Marinho, com os militantes do partido na região. Ou seja, foram convidados diversos militantes do PT de Taubaté e região, menos a presidenta do Diretório.

A combativa companheira além de jovem é a primeira mulher a dirigir o Diretório do Municipal de Taubaté, sendo, com certeza, o boicote uma atitude sectária e machista do Diretório Estadual do PT, atitude essa que repudiamos veementemente, sendo necessário reproduzirmos os ensinamentos de que:

“A renovação do movimento faz-se pela juventude, livre de toda responsabilidade pelo passado. A Quarta Internacional dá uma excepcional atenção à jovem geração do proletariado. Toda sua política se esforça em inspirar à juventude para que confie em suas próprias forças e em seu futuro. Apenas o revigorante entusiasmo e o espírito ofensivo da juventude podem assegurar os primeiros sucessos na luta; apenas esses sucessos podem fazer voltar ao caminho da revolução os melhores elementos da velha geração. Sempre foi assim. Continuará sendo assim.

As organizações oportunistas, por sua própria natureza, concentram sua atenção principalmente nas camadas superiores da classe operária e, consequentemente, ignoram igualmente a juventude e as mulheres trabalhadoras. Entretanto, a época de declínio capitalista atinge cada vez mais duramente a mulher, tanto a assalariada quanto a dona- de-casa. As secções da Quarta Internacional devem procurar apoio nas camadas mais exploradas da classe operária e, consequentemente, entre as mulheres trabalhadoras. Encontrarão aí inesgotáveis fontes de devotamento, abnegação e espírito de sacrifício.

Abaixo a burocracia e o carreirismo!

UM LUGAR À JUVENTUDE E ÀS MULHERES TRABALHADORAS!”

(Programa de Transição da IV Internacional, Leon Trotsky, 1938)

Os militantes do PT precisam fazer uma autocrítica profunda, que vá até à raiz dos problemas, para compreender o que justifica e que está por trás dessa atitude do Diretório Estadual do PT, isto é, a política de conciliação, colaboração de classes e eleitoreira da direção majoritária do PT, a CNB (Construindo um Novo  Brasil, antiga Articulação), que aplainou o terreno para o golpe do imperialismo e da burguesia nacional e capitulou perante o mesmo praticamente sem luta.

Assim, a TLM se solidariza totalmente com a companheira Júlia Martin e conclama aos demais companheiros e camaradas a repudiar também essa atitude do Diretório Estadual do PT.

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

As armadilhas da corrida eleitoral sob um golpe de estado

João Dória do PSDB tucano e Lula do PT deflagraram a corrida eleitoral para 2018 e começaram a percorrer o Brasil fazendo campanha eleitoral, principalmente pelo nordeste reduto do PT.

Embora esteja dividido, com uma ala governista, dirigida pelo senador Aécio Neves, e outra “não governista”, dirigida pelo ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, bem como vivendo uma crise muito grande, aumentada pelo programa partidário na rádio e na televisão, em razão do bordão elaborado pelo próprio partido: “o PSDB errou”, que deixou a ala governista contrariada.

Todavia, o PSDB segue sendo o principal partido do golpe, juntamente com o DEM, pois ambos são instrumentos do imperialismo norte-americano, o grande patrono do golpe que tirou do poder a presidenta Dilma Rousseff do PT.

Ao que tudo indica, o imperialismo está impulsionando a campanha do direitista prefeito de São Paulo, João Dória, sendo que o PT, dirigido pela corrente CNB (Construindo um Novo Brasil) morde a isca ao acompanhar a corrida eleitoral, porque isso facilita a tarefa dos golpistas, que desviam a atenção da escalada golpista, que segue ininterrupta após a aprovação recentemente da “Reforma Trabalhista” que, na prática, acabou com a legislação trabalhista, a CLT.

Agora a conjuntura nacional tende a se agravar ainda mais, com a “Reforma Previdenciária”, a “Reforma da Segurança Pública” e  a “Reforma Política”.

A “Reforma Previdenciária”, a exemplo da “Reforma Trabalhista”, foi concebida para retirar direitos, ou seja, para acabar com a aposentadoria e suprimir direitos previdenciários, que não mais serão concedidos pelo INSS, que praticamente deixará de existir.

A “Reforma Tributária” visa apenas desonerar dos impostos a indústria, o comércio e os bancos, com o objetivo de avançar na privatização da Saúde e da Educação, deixando a população completamente desamparada.

A “Reforma da Segurança” pretende avançar no encarceramento (4ª população carcerária do mundo, com aproximadamente 700 mil presos) e genocídio da população pobre e negra das periferias das cidades, aumentando o verdadeiro apartheid em que vivemos, como observamos no Rio de Janeiro, sob Estado de Sítio permanente com a intervenção das Forças Armadas, também estendido a Vitória, no Estado do Espírito Santo, bem como no extermínio das populações quilombolas e dos povos indígenas, assim como nos assassinatos de camponeses, objetivando a recolonização do Brasil e a escravidão da população.

Já a “Reforma Política” tem o objetivo de tornar as eleições completamente anti-democráticas e controladas, como na ditadura militar de 1964, extinguindo os partidos políticos, com as cláusulas de barreira. Na ditadura, havia apenas dois partidos, a ARENA e o MDB. Esse é o modelo da “Reforma Política”.

Por outro lado, o governo golpista, por intermédio da Secretaria do Tesouro Nacional, anunciou recentemente um rombo de 56,09 bilhões de reais no semestre nas contas públicas. Não está dando mais para esconder. Tiveram muita dificuldade de definir a meta fiscal de 159 bilhões para 2017 e 2018, com Romero Jucá propondo 170 bilhões reais por ser “mais realista”, com certeza, principalmente, porque o golpista Temer tem feito uma farra com dinheiro público, distribuindo aos deputados e senadores, por meio de emendas.

Outras medidas que vinham sendo anunciadas demonstravam o total descontrole da economia gerida pelos golpistas, como, por exemplo, o aumento dos combustíveis, o “Programa de Demissão Voluntária” (PDV) da União, o adiamento do reajuste dos funcionários públicos federais, na verdade arrocho dos vencimentos. Tudo isso demonstra que o Brasil caminha para a quebra.

Para despistar, os jornais da imprensa golpista, funcionando como “assessoria de imprensa” de Michel Temer, anunciaram em 27/7, em manchete, que os juros caíram  e falaram em novo corte no futuro, referindo-se ao corte de um ponto na taxa Selic pelo Comitê de Política Econômica do Banco Central (Copom). Mas isso é só para tentar escamotear e disfarçar, já que a economia não responde, está como um paciente com morte cerebral.

Daí o desespero e a pressa para por fim  à Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), a condenação de Lula e as “Reformas”.

O Brasil está literalmente à venda. Ontem o governo golpista anunciou um pacote de 57 privatizações, entre elas da Eletrobrás, responsável por mais de 30% da produção da energia nacional, e a Casa da Moeda, sem falar na extinção da Reserva do Cobre nos Estados do Pará e Amapá, que apesar do nome é rica em ouro, verdadeiros crimes lesa-pátria que atentam contra a soberania nacional.

A pressa acompanha as “Reformas” também nos Estados membros importantes, como, por exemplo, o Estado de São Paulo, que está querendo aprovar a toque de caixa a privatização da SABESP, por pressão de Nova Iorque, onde a empresa tem ações na Bolsa de Valores.

É uma luta desesperada da burguesia para tentar reverter a queda na taxa de lucros, mas as privatizações não resolvem os problemas, mas sim os agravam, como demonstra o exemplo da concessão do Aeroporto de Viracopos em Campinas, onde a empresa que ganhou a licitação ficou endividada (milhões de reais) e quebrou, devolvendo todo o prejuízo para o Estado, que já prometeu nova licitação, isto é, mais sangria dos recursos públicos.

Embora Michel Temer tenha conseguido rejeitar a denúncia de corrupção passiva na Câmara dos Deputados, a possibilidade do golpe dentro do golpe, não foi afastada, pois poderá ser retomada com novas denúncias, antes do fim do  mandato de Rodrigo Janot, o Procurador Geral da República,  com o golpista Rodrigo Maia, do Democratas (DEM, ex-Partido da Frente Liberal – PFL -  e ALIANÇA RENOVADORA NACIONAL – ARENA, o partido da ditadura militar de 1964), presidente da Câmara dos Deputados, articulando a derrubada do golpista Temer, abrindo a perspectiva da escalada golpista rumo à ditadura e ao fascismo.

Assim, a campanha eleitoral serve para jogar areia nos olhos da classe trabalhadora e desviar a atenção dessa escalada golpista na União e nos Estados membros, até pelo conteúdo populista da mesma, uma vez que é utilizada não para denunciar as mazelas do golpe que avança, mas para semear a ilusão que apertando um botão na urna eletrônica o cidadão poderá mudar o destino do Brasil. Apesar de que vai ser difícil convencer as pessoas de que apenas com o voto conseguiremos reverter essa recolonização e essa escravidão imposta pelos golpistas.

As denúncias de uma campanha eleitoral são insuficientes para impulsionar a mobilização do movimento operário e popular, devendo estar subordinadas ao eixo central que é a ação direta e a luta da classe operária, em aliança com os camponeses pobres e a juventude estudantil, liderando a maioria oprimida nacional, para derrotar o golpe.

Inclusive, é bom ter claro que em regime golpista sempre quem ganha as eleições são os golpistas, porque elas são sempre anti-democráticas e controladas, como no golpe de 1964 sempre ganhava a ARENA.

A experiência recente demonstrou que não adianta nada a eleição de um presidente da República, mantendo-se o conjunto do regime burguês e suas instituições reacionárias, como, por exemplo, o poder judiciário, o  ministério público, etc, instituições que não se submetem ao sufrágio universal, ao voto, ou seja, ao povo. Além do aparato repressivo, como a Polícia Militar e a Força Nacional.

Tanto que a presidenta Dilma foi eleita e os golpistas impuseram o ministro da Fazenda Joaquim Levy, do Banco Bradesco, para fazer o trabalho de sapa e sabotar a economia, golpe desferido logo em seguida.

As ilusões parlamentaristas e eleitoreiras desarmam a classe operária, como aconteceu com a desmobilização e o fracasso da que deveria ter sido a greve geral do dia 30 de junho; como as recentes 364 demissões na Ford de São Bernardo do Campo, onde ao invés de lutar, a diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC preferiu fazer “acordo”; bem como comprometem as campanhas salariais de diversas categorias no segundo semestre. A política de "virar a página do golpe" de alguns setores do PT, implica numa adaptação ao golpe, representando um verdadeiro suicídio político.

O conjunto da classe operária, para deter essa escalada golpista, precisa entrar em movimento, rompendo a paralisia imposta pelas direções reformistas e pelegas, que levam essa política de conciliação e colaboração de classes, eleitoreira e parlamentarista, que tem levado o movimento popular a um beco sem saída, aplainando o terreno para o avanço da burguesia e do imperialismo, o que levou à derrubada presidenta Dilma Rousseff do Partido dos Trabalhadores (PT).

Assim sendo, cumpre ao movimento operário e popular buscar a ação direta, convocar um Congresso de base da classe trabalhadora, com delegados eleitos nos Estados, em São Paulo ou no Rio de Janeiro, para discutir um plano de lutas contra o desemprego que atinge 14 milhões de brasileiros pela estatística oficial (o número real ao que tudo indica é maior, aproximando-se de 20 milhões de desempregados) como um Fundo Desemprego, com os trabalhadores empregados doando 0,5% do salário; pela redução da jornada de trabalho, sem redução de salário, para que todos trabalhem; com a escala móvel de salários, com os aumentos sendo de acordo com a inflação e ganhos reais; formação de milícias operárias e populares, a partir dos sindicatos; formação de um partido operário marxista e revolucionário; na perspectiva de uma greve geral por tempo indeterminado para a derrubada do regime golpista; rumo a um governo operário e camponês e a uma Internacional Operária e Revolucionária.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Resenha de livro de José Luiz Del Roio: A Greve de 1917

A Tendência Marxista-Leninista recomenda a leitura do excelente livro de José Luiz Del Roio, escritor, radialista e ex-dirigente do PCB (Partido Comunista Brasileiro), sobre “A Greve de 1917” subtítulo “Os trabalhadores entram em cena”, de 129 páginas, editado pela Alameda e Fundação Lauro Campo (FLC).

No prefácio da obra, elaborado pelo Professor Gilberto Maringoni,  historiador e professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC, foi assinalado que anteriormente aconteceram numerosos movimentos paredistas, como a Revolta do Vintém contra as altas tarifas de bonde em 1880, a Greve Geral do Rio de Janeiro em 1903, em que 40 mil trabalhadores cruzaram os braços, mas que não foi vitorioso, por causa da pauta confusa. Ainda ocorreu, a Revolta da Vacina, também no Rio em 1904.

“Existem registros de numerosos movimentos paredistas, tanto de escravos quanto de operários, no sécula XIX e inícios do seguinte. A primeira paralisação do trabalho assalariado que se tem notícia é a dos compositores tipográficos do Rio de Janeiro, em 1858, precedida por uma greve de escravos na Bahia, no ano anterior.”

Mas a greve paulistana de julho 1917 foi diferente, porque vitoriosa, apesar de duramente reprimida, com muitas mortes, pela Força Pública, a Polícia Militar da época. Inclusive, ela ganhou fôlego, em 9 de julho, com o assassinato do sapateiro espanhol, José Martinez, de apenas 21 anos, causando consternação e fazendo com que uma multidão comparecesse ao seu enterro. Os trabalhadores conseguiram conquistar suas reivindicações, como demonstra Del Roio (pág. 101):

“A Greve de 1917 REPRESENTOU o ápice do sindicalismo revolucionário e o início do seu declínio. A greve em São Paulo conseguir vitórias. Houve aumentos salariais, redução das jornadas de trabalho e limitação à exploração da força de trabalho feminina e dos menores de idade. Conseguiram até que se emanasse uma lei no estado de São Paulo, a n. 1.596, de 29 de novembro de 1917, que proibiu o trabalho noturno para mulheres e os menores de 15 anos, e estes só poderiam labutar 5 horas diurnas.”

Essa vitória, como disse Del Roio, deveu-se ao sindicalismo revolucionário, de orientação anarquista, que dirigiu inicialmente o movimento operário brasileiro, sendo que, logo depois, em declínio perdendo terreno para o movimento comunista devido a Revolução Russa de outubro de 1917, que redundou na fundação do Partido Comunista  Brasileiro em 1922.

Destacaram-se na liderança do movimento, Edgard Leuenroth (1881-968), jornalista,  Theodoro Monicelli (1875-1950),  italiano e Juana Buela, espanhola, que militou no Brasil e radicou-se na Argentina (a capa do livro é uma foto dela discursando em São Paulo).

O livro também é um passeio por São Paulo da época, pois Del Roio conta o desenvolvimento da cidade, os bairros operários, como Braz, Mooca, Belenzinho, as fábricas dos patrões da época, o Conde Rodolfo Crespi, o Conde Matarazzo, de Jorge Street, etc.

A ironia da história é que, com o golpe de 2016, que derrubou a presidenta Dilma Rousseff do PT (Partido dos Trabalhadores), os golpistas acabaram com a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), com o objetivo de escravizar e recolonizar o Brasil, imprimindo um enorme retrocesso, o que recoloca para a classe operária brasileira em 2017, novamente, a luta pela reconquista de muitos direitos que foram retirados, os quais começaram a ser conquistados há mais de 100 anos, isto é, desde 1917, pela heroica classe operária paulistana e brasileira, tão bem retratada no livro por Del Roio.

sábado, 19 de agosto de 2017

Metalúrgicos da Mercedes de Iracemápolis em greve, enquanto funcionários da Ford, em SBC, fazem acordo

© foto: Divulgação/ Sindicato dos Metalúrgicos de Limeira, Rio Claro e Região

Os 500 metalúrgicos da fábrica da Mercedes-Benz de Iracemápolis, no interior de São Paulo, há 3 (três) dias entraram em greve por prazo indeterminado, mesmo antes da data-base da categoria que é em setembro, reivindicando a Participação nos Lucros e Resultados (PLR) no valor de R$ 12.000,00, reajuste de 9,2%, piso de R$ 2.100,00 e cartão alimentação de R$ 300,00. Os operários de Iracemápolis integram a base do Sindicato dos Metalúrgicos de Limeira, Rio Claro e Região.

Por outro lado, a Ford de São Bernardo do Campo, no ABC paulista, demitiu 364 metalúrgicos que estavam em lay-off(suspensão temporária do contrato de trabalho, com pagamento de parte dos salários com recursos do Fundo de Amparo do Trabalhador – FAT), os quais receberam os telegramas de dispensa na quinta-feira, dia 10 de agosto.

As demissões desrespeitam o Acordo Coletivo com o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC que prevê estabilidade no emprego até janeiro de 2018.

Os operários realizaram Assembleia e reagiram às demissões paralisando a estamparia, prejudicando a produção nos demais setores e alas.

No último período, a empresa vem enrolando, com manobras como a implantação do Programa de Proteção do Emprego  (PPE) do ministro Levy, Programa de Demissão Voluntária (PDV), lay-off  e férias coletivas.

Constata-se, pois, que é uma política das montadoras para reduzir custos, reduzir salários, jogando a crise nas costas dos trabalhadores, buscando restabelecer a taxa de lucros.

Os companheiros 3.400 metalúrgicos da Ford de São Bernardo do Campo que produzem o Fiesta hatch e sedã (na lista dos mais vendidos, com 10.575 unidades; a empresa vendeu 110 automóveis, 12,8% a mais que em 2016) e caminhões.

Infelizmente, a Diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos ABC, ao invés de organizar a greve com ocupação de fábrica e buscar a solidariedade da categoria na perspectiva de uma greve geral metalúrgica, investiu apenas na negociação, sendo que a empresa apenas se comprometeu a reverter 80 das 364 demissões, mantendo, na prática, o facão. Os demitidos serão apenas indenizados da garantia de emprego até janeiro de 2018 ou poderão “aderir” a um PDV (Programa de Demissão Voluntária),  o que concretamente significa um derrota para os trabalhadores.

Os metalúrgicos do ABC precisam fazer um balanço da política de conciliação e colaboração de classes, que tem redundado em demissões e derrotas para a classe operária na conjuntura atual, facilitando a escalada golpista que a cada dia retira mais direitos dos trabalhadores, como aconteceu recentemente com a aprovação da “Reforma Trabalhista”.

 É necessário que a categoria impulsione a convocação de um Congresso de base da classe trabalhadora para discutir uma plataforma de lutas e unificar a mobilização para derrotar o golpe.

O caminho certo é o apontado pelos metalúrgicos da Mercedes de Iracemápolis: é a luta!

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

‘Revolução Permanente’ é o novo veículo de comunicação da TML

A TML lançou o seu jornal impresso, denominado Revolução Permanente, um tabloide de 4 páginas, com tiragem de 3.000. O jornal contém o Editorial apresentando a TML e divulgando o Coletivo Revolução Permanente (CoReP), da qual o nosso grupo é simpatizante.

Além disso, há um artigo sobre o Manifesto por uma Arte Revolucionária, elaborado por André Breton, Diego Rivera e Leon Trotsky,  documento histórico esse que segue atual ainda nos dias de hoje, colocando a luta pela liberdade total de criação artística.

Outro sobre a necessidade da convocação de um congresso de  base da classe trabalhadora, visando estruturar uma alternativa de poder operária e camponesa. Também consta um artigo sobre a luta contra o golpe para derrubar Nicolás Maduro na Venezuela, onde defendemos o armamento do proletariado para derrotar aos golpistas,

Ainda há um artigo sobre a Revolução Russa que completará 100 anos no próximo dia 7 de novembro (25 de outubro pelo calendário russo da época), no qual iniciamos um resumo histórico que seguirá nos próximos números do jornal, abordando as principais lições da revolução bolchevique.

O jornal Revolução Permanente passa a ser o principal órgão de comunicação da TML. A ideia é editá-lo com periodicidade bimensal. Nesses pouco mais de dois anos de existência de nossa tendência (antes denominada Tendência Socialista Operária), inicialmente a nossa intervenção cotidiana era baseada, primeiramente, nos Boletins da TML, que editamos diversos números.

No último período, demos o nome de Luta de Classes ao nosso Boletim, o qual segue impulsionando a nossa intervenção no movimento operário e popular e que já editamos até o momento 6 (seis) números, o qual continuará praticamente do mesmo jeito, em razão de ser um instrumento ágil para a nossa luta cotidiana, apenas agora adquirindo um caráter complementar, porque o jornal passa a ser o nosso militante n. 1.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Vitória dos diabéticos de SBC: desgoverno Orlando Morando volta fornecer seringas

© imagem: reprodução rede Globo (golpista)

O povo de São Bernardo do Campo obteve uma importante vitória contra o governo tucano do PSDB, do prefeito Orlando Morando, o qual havia reduzido o fornecimento das 60 (sessenta) seringas  que os 9.000 insulino-dependentes da cidade necessitam mensalmente para apenas 20 (vinte) seringas, ao mesmo tempo que orientava no sentido de reutilização até 8 (oito) vezes sendo que agora voltou atrás.

Tamanha indignação, a população iniciou grande campanha nas redes sociais contra o corte no fornecimento das seringas e a sua reutilização porque logicamente as seringas são descartáveis, sendo óbvio o risco de contaminação, sem falar que machuca os usuários. A Prefeitura do tucano Orlando Morando apoiava-se no também golpista Ministério da Saúde de Michel Temer que orienta nesse sentido.

Além da campanha da população nas redes sociais, destacamos a entrevista do jornalista Cadu Bazilevski ao Metro News, onde este informou o que isso estava acontecendo com seu pai diabético, João Batista Aragão Neto. A repórter, Vanessa Selicani, do Metro News - ABC, fez uma excelente matéria, onde ouviu especialistas, representantes de entidades de diabéticos e o próprio Ministério da Saúde golpista, que vem promovendo o desmonte da Saúde Pública no Brasil.

Agora, o SPTV da Rede Globo fez uma reportagem na Unidade Básica de Saúde da Pauliceia, em São Bernardo Campo, onde foi confirmado o corte, sendo que na mesma o prefeito golpista informou que a Prefeitura voltará a fornecer as 60 (sessenta seringas), e que a cidade gastará mais R$ 250.000,00 reais por ano, com os 9.000 diabéticos com isso. Ora, a cidade de São Bernardo do Campo tem um orçamento bilionário, nada justificando o desmonte da Saúde Pública. É só o golpista deixar de gastar com propaganda enganosa.

Essa vitória da população de São Bernardo do Campo deve servir de exemplo na luta contra o desmonte da Saúde Pública no Brasil, seja em nível municipal, estadual ou federal.

sábado, 12 de agosto de 2017

Ford SBC: deliberar a greve e ocupar a fábrica contra demissões

© foto: Edu Guimarães/SMABC

A Ford de São Bernardo do Campo, no ABC paulista, demitiu 364 metalúrgicos que estavam em lay-off (suspensão temporária do contrato de trabalho, com pagamento de parte dos salários com recursos do Fundo de Amparo do Trabalhador – FAT), os quais receberam os telegramas de dispensa na quinta-feira, dia 10 de agosto.

As demissões desrespeitam o Acordo Coletivo com o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC que prevê estabilidade no emprego até janeiro de 2018.

Os operários realizaram Assembleia e reagiram às demissões paralisando a estamparia, prejudicando a produção nos demais setores e alas.

No último período, a empresa vem enrolando, com manobras como a implantação do Programa de Proteção do Emprego  (PPE) do ministro Levy, Programa de Demissão Voluntária (PDV), lay-off  e férias coletivas.

Constata-se, pois, que é uma política das montadoras para reduzir custos, reduzir salários, jogando a crise nas costas dos trabalhadores, buscando restabelecer a taxa de lucros.

Dizem que na Alemanha há um programa semelhante ao PPE que ajudou à manutenção dos empregos, com a redução dos salários, sendo que o país germânico está se recuperando e saindo da crise antes que os demais países da Europa.

Os operários da Ford não devem ter ilusão com relação ao PPE  e nas demais manobras. Em primeiro lugar, a Alemanha não é o Brasil. A Alemanha é um país capitalista avançado e imperialista (país que oprime outras nações), que juntamente com a França, domina a União Europeia, aliada dos Estados Unidos e flerta com os Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Além disso, essa política do PPE derrota uma das principais bandeiras da classe trabalhadora, ou seja, a redução da jornada de trabalho, sem redução de salário; a qual se combina com a escala móvel de salários, o aumento do salário de acordo com a inflação.

Os companheiros 3.400 metalúrgicos da Ford de São Bernardo do Campo que produzem o Fiesta hatch e sedã (na lista dos mais vendidos, com 10.575 unidades; a empresa vendeu 110.000 automóveis, 12,8% a mais que em 2016) e caminhões devem realizar outra Assembleia e votar a greve, eleger um comando de greve e ocupar a fábrica.

- Greve com ocupação da fábrica da Ford!
- Reintegração de todos os metalúrgicos demitidos!
- Todo apoio e toda solidariedade à luta dos operários da Ford!
- Pela convocação da Assembleia Geral Extraordinária do Sindicado dos Metalúrgicos do ABC para organizar e unificar a luta contras as demissões!
- Organizar a greve geral!

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Venezuela: armar o proletariado para derrotar o golpe

O governo do presidente Nicolás Maduro vem enfrentando uma tentativa de golpe do imperialismo norte-americano e da burguesia entreguista venezuelana, bastante semelhante ao consumado contra a presidenta Dilma Rousseff  no Brasil em 2016.

Na Venezuela, ao contrário do que ocorreu no Brasil, apesar das vacilações, há certo um enfrentamento por parte de Maduro, ao contrário do Brasil, onde Dilma e a direção majoritária do PT (CNB – Construindo um Novo Brasil), não esboçaram nenhuma reação e capitularam praticamente sem luta perante aos golpistas, limitando-se a uma oposição parlamentar e eleitoreira, embora houvesse (e haja) muita disposição de luta das bases petistas e da população, que inclusive saíram às ruas de forma empírica e espontânea contra o golpe e fizeram uma greve geral no dia 28 de abril de 2017.

Como no Brasil desde 2013, o imperialismo norte-americano e a burguesia entreguista brasileira sabotaram a economia brasileira, aplainando o terreno para o golpe. Aproveitaram a política de conciliação e colaboração de classes do PT, a política de alianças com partidos burgueses, e impuseram o ex-ministro Joaquim Levy para fazer trabalho de sapa na economia.

Na Venezuela, embora sem as facilidades encontradas no Brasil, o imperialismo norte-americano e a burguesia entreguista venezuelana tentam fazer a mesma coisa e sabotam a economia da Venezuela.

Expropriações são comuns no país desde o governo do presidente Hugo Chávez (1999-2013). Com a chegada de Maduro ao poder, a crise de escassez, a falta de moeda forte e a inflação, os confiscos se tornaram mais corriqueiros.” (21/04/2017).

A General Motors, empresa norte-americana, foi expropriada pelo poder judiciário da Venezuela.

Anteriormente, durante o governo Chávez, foram expropriadas a Exxon Mobil e a Cargill, empresa de alimentos. No governo Maduro, foi expropriada a Kimberly-Clarke,

A Tendência Marxista-Leninista apoia as medidas concretas do governo Maduro contra os golpistas, como a expropriação da GM, mas não deposita nenhuma ilusão no programa político nacionalista burguês de Maduro.

Todavia, a ponderação de Leon Trotsky, no Programa de Transição da IV Internacional, continua válida:

“(...) Entretanto, é impossível negar categórica e antecipadamente a possibilidade teórica de que, sob a influência de uma combinação de circunstâncias excepcionais (guerra, derrota, quebra financeira, ofensiva revolucionária das massas etc.), os partidos pequeno-burgueses, inclusive os estalinistas, possam ir mais longe do que queiram, no caminho da ruptura com a burguesia. Em todo caso, uma coisa está fora de dúvida: se mesmo esta variante pouco provável se realizasse um dia, em algum lugar, e um “governo operário e camponês” no sentido acima indicado se estabelecesse de fato, ele representaria somente um curo episódio em direção à ditadura do proletariado.”

A TML defende o armamento do proletariado venezuelano para enfrentar aos golpistas, como também a expropriação total do imperialismo norte-americano, da burguesia, dos camponeses ricos e dos latifundiários venezuelanos, a expropriação das fábricas, das empresas, dos bancos,  das terras, das empresas agrícolas, com reforma e revolução agrária, expulsão do imperialismo, rumo à revolução proletária e à instauração de um governo operário e camponês.

Para tanto, os partidos e organizações operárias, marxistas e revolucionárias da Venezuela devem buscar a unidade e construir um poderoso partido operário revolucionário.

Na verdade, como no Brasil, na Venezuela há um golpe em marcha, onde a burguesia entreguista e o imperialismo norte-americano buscam depor o governo bolivariano de Nicolás Maduro, com objetivo semelhante ao do Brasil, porque a Venezuela é rica em petróleo, sendo uma dos principais países exportadores. Ou seja, o imperialismo, através da americana Chevron e da britância Shell, quer se apoderar do petróleo e das riquezas venezuelanas.

Como noticiado, o golpe em andamento na Venezuela é bem parecido com o do “impeachment”/golpe brasileiro, só que lá se chama “referendo revogatório, isto é, o mesmo modus operandi do Departamento de Estado, da CIA e do FBI:

“Nicolás Maduro é alvo de um pedido de referendo revogatório feito pela coalização opositora, a Mesa de Unidade Democrática (MUD), para retirá-lo do poder.(...)” (Folha de S. Paulo, 18/8/2016).

Além disso, igual está acontecendo no Brasil, a Venezuela sofre os reflexos da crise capitalista mundial de 2008, que também de forma retardatária chegou aos nossos vizinhos e a toda América do Sul.

Ainda, a Venezuela está sendo atacada no Mercosul, como aconteceu recentemente na reunião de Mendoza, na Argentina, pelo governo autoritário pró-imperialista de Mauricio Macri, da Argentina, e pelo governo golpista de Michel Temer, do Brasil, por meio do tucano usurpador  e golpista pró-imperialista José Serra.

A Tendência Marxista-Leninista faz frente única com o governo bolivariano de Maduro contra os ataques da burguesia entreguista e do imperialismo norte-americano, porém adverte que os governos nacionalista burgueses costumam capitular perante o imperialismo, como o Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR), da Bolívia; o APRA, no Peru; e o peronismo na Argentina.

A própria estratégia de Nicolás Maduro aponta nesse sentido, quando diz buscar “paz, diálogo e prosperidade.”, ou seja, uma política de conciliação.

Além disso, no final de semana passado, foi eleita uma Assembleia Constituinte na Venezuela, todavia houve impedimento da participação de partidos operários e da esquerda revolucionária.

A Tendência Marxista-Lenista entende que o que está colocado na Venezuela é o armamento do proletariado e dos camponeses para esmagar o golpe da burguesia entreguista e do imperialismo norte-americano:

 “De acordo com a magnífica expressão do teórico militar Clausewitz, a guerra é a continuação da política por outros meios. Esta definição também se aplica plenamente à guerra civil. A luta física não é senão um dos "outros meios" da luta política. É impossível opor uma à outra, porque é impossível deter arbitrariamente a luta política quando se transforma, pela força de suas necessidades internas, em luta física. O dever de um partido revolucionário é prever a inevitabilidade da transformação da luta política em conflito armado declarado e preparar-se com todas as suas forças para esse momento, como para ele se preparam as classes dominantes.

Os destacamentos da milícia para a defesa contra o fascismo são os primeiros passos no caminho do armamento do proletariado, e não o último. Nossa palavra de ordem é: "Armamento do proletariado e dos camponeses revolucionários". A milícia do povo, no fim das contas, deve abarcar todos os trabalhadores. Não será possível cumprir esse programa completamente, a não ser no Estado operário, para cujas mãos passarão todos os meios de produção e, conseqüentemente, também os meios de destruição, isto é, os armamentos e todas as fábricas que os produzem.

No entanto, é impossível chegar ao Estado operário com as mãos vazias. Somente os políticos inválidos, do tipo de Renaudel, podem falar de uma via pacífica, constitucional, para o socialismo. A via constitucional está cortada por trincheiras ocupadas pelos grupos fascistas. Há muitas dessas trincheiras diante de nós. A burguesia não vacilará em provocar uma dúzia de golpes de Estado para impedir a chegada do proletariado ao poder. Um Estado operário socialista não pode ser criado senão por uma revolução vitoriosa. Toda revolução é preparada pela marcha do desenvolvimento econômico e político, mas é decidida sempre por conflitos armados declarados entre as classes hostis. Uma vitória revolucionária não é possível a não ser graças a uma ampla agitação política, a um amplo trabalho de educação, uma ampla tarefa de organização das massas. Mas o próprio conflito armado também deve ser preparado com muita antecedência. Os operários devem saber que terão de bater-se numa luta de morte. Devem querer armar-se, como garantia de sua liberação. Em uma época tão crítica quanto a atual, o partido da revolução deve pregar aos operários, incansavelmente, a necessidade de armar-se e de fazer tudo o que possam para assegurar, pelo menos, o armamento da vanguarda proletária. Sem isso, a vitória é impossível.” (Leon Trotsky, “Aonde vai a França?).

Assim, cumpre aos marxistas revolucionários venezuelanos organizar imediatamente um partido operário marxista revolucionário, que busque organizar de forma independente e armar o proletariado e os camponeses venezuelanos para esmagar o golpe da burguesia entreguista e do imperialismo norte-americano.

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Setorial Racial promove “8º Prêmio Carolina Maria de Jesus”

© fotos: DM PT-SBC
O Setorial Racial de Combate ao Racismo do Partido dos Trabalhadores de São Bernardo do Campo (PTSBC) promoveu a 8ª edição do “Prêmio Carolina Maria de Jesus”. O evento aconteceu na noite desta sexta-feira (28) e lotou o Diretório Municipal, reunindo militantes das sete cidades do ABC Paulista e da capital.
Terezinha de Jesus, coordenadora do Setorial, destacou a importância do evento – que tem por objetivo dar visibilidade às mulheres negras que lutam por uma sociedade mais justa e igualitária. Em sua opinião, “esta é uma homenagem a todas as militantes anônimas que desempenham trabalhos sociais nos bairros e nas comunidades, e ajudam a construir uma sociedade menos desigual”.
“Hoje nós homenageamos oito companheiras aqui do ABC Paulista. Elas representam as mulheres negras do Brasil, guerreiras por natureza. O Prêmio Carolina Maria de Jesus é uma maneira de honrar suas histórias”, afirmou.
Anatalina Lourenço, Aparecida Cleunice Alves, Cleide Aparecida de Lima, Cleone Santos, Fernanda Henrique de Souza, Keila Costa Diniz, Maria Edna Timóteo Santos e Zenita dos Santos Rodrigues são as homenageadas nesta edição e foram escolhidas por se destacarem na militância em defesa dos direitos das mulheres.