sexta-feira, 21 de abril de 2017

Palocci, o novo Joaquim Silvério dos Reis


O depoimento, ontem, dia 20 de abril de 2017, do ex-ministro Antônio Palocci ao juiz Sérgio Moro, na Justiça Federal em Curitiba, praticamente coincide com a data do esquartejamento de Tiradentes, no Rio de Janeiro, em 21 de abril de 1792.

É emblemática a coincidência das datas.

A Inconfidência Mineira foi um movimento de intelectuais, escritores, poetas e trabalhadores mineiros, como Thomaz Antônio Gonzaga, jurista e poeta, Cláudio Manuel da Costa, advogado, e o próprio Tiradentes e outros, contra a exploração do Brasil colonial, com impostos, pela Coroa portuguesa.

O movimento foi traído por Joaquim Silvério  dos Reis, coronel comandante do Regimento Auxiliar da Borda do Campo.

Coincidentemente, ontem Antônio Palocci começou a fazer o mesmo com o movimento operário e popular, prometendo entregar os nomes, endereços fatos, etc., como fizeram Joaquim Silvério dos Reis e outros traidores como Jover Telles que traiu seus companheiros do PCdoB, entregando-os para os militares, que promoveram a Chacina da Lapa, ocorrida em 16 de dezembro de 1976, onde foram brutalmente assassinados Pedro Pomar e Ângelo Arroyo, enquanto Elza Monerat, Haroldo Lima, Aldo Arantes, Joaquim de Lima e Maria Trindade foram presos e torturados, aos quais nesta oportunidade reverenciamos e homenageamos. A traição de Jover Telles foi por um emprego e mais ou menos uns R$ 150.000,00,  de hoje, entregues à sua filha em Porto Alegre.

Palocci, na juventude, foi militante estudantil da Liberdade e Luta, a Libelu, tendência estudantil ligada, na época, ao lambertismo, corrente revisionista do trotskismo. Mas logo aderiu à tendência majoritária do PT, o que hoje é a corrente CNB (Construindo um Novo Brasil), passando a defender o programa reformista de conciliação e colaboração de classes, tendo sido prefeito da cidade de Ribeirão Preto, deputado estadual, deputado federal, ministro da Casa Civil e ministro da Fazenda, com o objetivo de gerir e administrar o capitalismo, dando um giro de 180º com relação as posições na juventude, que era de derrubar o capitalismo e instaurar um governo operário e camponês, rumo ao socialismo.

Palocci como o PT chegaram a uma encruzilhada, que a política de conciliação e colaboração de classes os levaram. As alianças com os partidos burgueses os levaram a esse beco sem saída. Na história isso não é novo, é mais uma repetição. Isso aconteceu, por exemplo, com o Partido Operário Social Democrata Alemão, de Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht, o maior partido que operário que já existiu, junto com o Partido Operário Social Democrata Russo, de Vladimir Lênin e Leon Trotsky.

O Partido alemão, com a política de colaboração e conciliação de classes, com a nova  liderança de Friedrich Ebert e Gustav Noske, acabou por trair os trabalhadores, por trair a revolução proletária da Alemanha em 1918/1919, e inclusive assassinaram os líderes da tendência de esquerda e revolucionária do partido, mataram Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht.  

O Partido russo, o Partido Bolchevique, que tomou o poder em 1917, sob a liderança de Lênin e Trotsky, expropriando a burguesia e os camponeses ricos e latifundiários, adotando a economia planificada, o monopólio do comércio exterior, e criando o Exército Vermelho que derrotou mais de 14 exércitos imperialistas na guerra civil de 1918-1921, infelizmente com a morte de Lênin, surgiu uma camarilha burocrática que passou a controlar o partido, colocando-se contra a perspectiva da revolução proletária internacional e adotando a teoria contrarrevolucionária do “Socialismo em um só país” e posteriormente a política da “Coexistência Pacífica”, o que levou ao assassinato de todos os líderes do Partido Bolchevique e companheiros de Lênin por Josef  Stálin e seus burocratas, e por fim a destruição da União da Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) e a restauração capitalista.

Recentes posições do PT são bastante preocupantes, como votar em Rodrigo Maia, do DEM, para presidente da Câmara dos Deputados, votar no deputado Cauê Macris, do PSDB, para presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, votar em Peri Cartola, do PSDB, para presidente da Câmara de Vereadores de São Bernardo do Campo.

Então, Palocci e o PT chegaram nessa encruzilhada em razão da política de conciliação e colaboração de classes, de alianças com partidos burgueses.

Palocci já optou por se tornar de forma patética o novo Joaquim Silvério dos Reis. Com certeza vai falar tudo o que os procuradores da Lava Jato determinarem. Assinará tudo embaixo.

Reconhecemos que Palocci é preso político, estando refém e sendo torturado, pois em Curitiba as prisões “cautelares” (“provisórias” e “preventivas”), são efetuadas sem culpa formada (sem acusação), sem observância do devido processo legal, transformando a bela Capital paranaense numa Nova Guantánamo.

Reconhecemos também que a Operação Lava Jato foi concebida pelo Departamento do Estado, CIA e FBI para recolonizar e escravizar o Brasil, em razão da crise capitalista mundial que eclodiu em 2008, levantando a “luta contra a corrupção”  que historicamente o imperialismo norte-americano desde a época da UDN impulsiona para promover golpes de Estado como o contra Getúlio Vargas em 1954, contra João Goulart em 1964, e contra Dilma Rousseff em 2016. 

Todavia, tudo isso não justifica a delação e a traição de Palocci. 

Traição não tem perdão!

Desejamos a Palocci que viva apenas o suficiente para responder perante um Tribunal operário e popular por sua alta traição, assim como Michel Temer, informante dos Estados Unidos, e de todos os demais golpistas por seus crimes de alta traição e lesa-pátria. E que encontrem pela frente um Saint-Just implacável!


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