segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Direção majoritária quer integrar o PT ao golpe

A direção nacional majoritária do Partido dos Trabalhadores, a CNB (Construindo um Novo Brasil, antiga Articulação), na última reunião em São Paulo, na sexta-feira, dia 20/01, por 45 votos a 30, decidiu “liberar” as bancadas nas eleições da Mesa da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, com o objetivo de votar nos golpistas Rodrigo Maia, do DEM, e Eunício de Oliveira, do PMDB, respectivamente.

O pretexto para essa posição é que o PT precisa lutar por espaço, porque a participação na mesa é importante para definir a pauta das votações e neste momento há várias matérias relevantes a serem votadas.

Tão-logo saiu essa decisão, o senador Lindbergh Farias do PT lançou um vídeo nas redes sociais e, inclusive, deu declarações na mídia, onde chegou a citar Lênin e Rosa Luxemburgo sobre a questão do cretinismo parlamentar. Ele disse que os revolucionários ensinavam que os deputados por ficarem muito tempo no parlamento, acabam acreditando que a luta política apenas se restringe à luta parlamentar. Lênin e Rosa subordinavam a luta parlamentar à mobilização, à ação direta das massas. Lindbergh esclareceu também que quem define a pauta é o presidente da Câmara ou do Senado, sendo isso irrelevante. Por causa disso tudo, Lindbergh conclamou a militância a se colocar contra essa política da CNB, a qual considerou um erro muito grave.

Sem sombra de dúvidas, a posição do senador Lindbergh Farias está correta.

Momentaneamente, vários acontecimentos sangrentos impuseram um certo impasse à escalada golpista, aumentando as disputas entre a facção mais direitista e pró-imperialista do golpe, o PSDB, contra o PMDB do presidente golpista Michel Temer.

Primeiro os massacres de presos no norte e nordeste do País, com mais de 100 mortes na primeira semana de 2017, com decapitações e mutilações, que não são mais do que a face monstruosa do golpe perpetrado em 2016 pela burguesia nacional e o imperialismo norte-americano, sendo certo que, se não for derrotado o golpe, essa “política” do sistema carcerário se espalhará para a Saúde, Educação e às condições de vida e trabalho de toda a população brasileira.

O acidente aéreo que matou o ministro do Supremo Tribunal Federal Teori Zavascki é outro fator que aumenta a crise dos golpistas, porque o PSDB, ao que tudo indica controla o judiciário e o está usando contra o PMDB, como demonstram as prisões de ex-governardor Sérgio Cabral e Anthony Gorotinho (embora esta tenha sido revogada) no Rio de Janeiro, e mesmo as ameaças do Superior Tribunal Eleitoral contra  Michel Temer.

Assim, todo esse caos não é por acaso. São  motivados pela fato da crise econômica ter aumentado desde que os golpistas assumiram o poder em maio deste ano. Em setembro passado houve um rombo recorde nas contas públicas de R$ 26,7 bilhões, sendo certo que todos os indicadores econômicos se deterioraram.

A conjuntura política brasileira é bastante delicada, com os podres poderes em profunda crise, com a economia naufragando totalmente.

Inclusive, uma aventura militar na atual conjuntura não está descartada, mas poderá provocar a reação das massas como em 1954 no golpe contra Getúlio Vargas, quando estas saíram às ruas e atacaram quartéis, como da aeronaútica, massacrando golpistas e obrigando outros a fugirem e a se esconder, como Carlos Larcerda da UDN (União Democrática Nacional, o PSDB da época).

Portanto, a decisão da direção majoritária do PT integrando-se ao golpe, apenas vai aplainar o terreno dos golpistas para atacar os trabalhadores e suas organizações. O PT acabará se colocando contra os trabalhadores e a população oprimida do Brasil, vai se tornar um partido que nem o Partido Trabalhista Brasileiro, o PTB, ou seja, mais um partido burguês anti-operário. Essa posição é um suicídio político semelhante ao de Dilma Rousseff quando colocou o sabotador Joaquim Levy no ministério da fazenda.

Assim sendo, é fundamental que as organizações de massas, como a Central Única dos Trabalhadores (CUT), o Partido dos Trabalhadores (PT), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), rompam com sua política de colaboração de classes que vêm impondo um bloqueio e uma paralisia ao movimento operário e popular, apesar da enorme disposição de luta demonstrada de forma empírica e espontânea pelos trabalhadores, camponeses e estudantes contra o golpe.

A alternativa a toda essa barbárie é a mobilização dos operários, camponeses e estudantes na perspectiva de uma greve geral, organizando comandos de greve eleitos democraticamente pela base, juntamente com as milícias operárias e populares, a partir dos sindicatos.

É fundamental também a convocação de um Congresso Brasileiro da Classe Trabalhadora  em São Paulo, com delegados eleitos nos Estados, em Assembleias de base, com a perspectiva de forjar um programa e uma plataforma de lutas contra o golpe.

E o mais importante, buscar organizar a classe trabalhadora de forma independente, num partido operário marxista revolucionário, para a derrubada revolucionária nas ruas dos golpistas e suas instituições, visando um governo operário e camponês, para a realização das tarefas democráticas, expulsão do imperialismo e reforma e revolução agrária, expropriação do campo, do latifúndio e das empresas agrícolas, passando à expropriação das fábricas, das empresas e dos bancos, monopólio do comércio exterior e economia planificada, rumo ao Socialismo e à Construção da Internacional Operária e Revolucionária!

Leia a nota aqui.

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