quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Senado completa o golpe para Temer fazer a guerra civil contra o povo

O Senado Federal aprovou o “impeachment”/golpe contra presidenta Dilma Rousseff do Partido dos Trabalhadores (PT), por 61 votos a 20.

Além disso, num conchavo vergonhoso com os golpistas, foram garantidos os “direitos políticos” da presidenta Dilma Rousseff por 42  a 36.

Tal fato demonstra que o Partido dos Trabalhadores (PT) , o Partido Comunista do Brasil (PCdoB), etc., já chegaram a um “Acordão” com os golpistas, o que terá consequências ainda mais danosas aos trabalhadores e às condições de vida da população. 

A ditadura Temer alienou a Soberania Nacional

A ditadura Temer alienou a Soberania Nacional, por meio de seu ministro usurpador José Serra, sendo que Michel Temer assume mais como um governador do 51º Estado dos Estados Unidos, do que como presidente do Brasil.

O Plano “Uma ponte para o futuro” do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB – que vem desde a ditadura militar de 1964) significa um ataque sem precedentes às condições de vida dos trabalhadores e da população, que nem os militares de 1964 a 1985 ousaram aplicar no País. 

A aplicação desse plano significará a escravização e recolonização do Brasil. 

Os militares de 1964 atacaram a Consolidação da Leis do Trabalho (CLT) retirando a estabilidade decenal (originalmente o trabalhador que completasse 10 anos na empresa adquiria estabilidade), mas em compensação estabeleceram o regime do Fundo de Garantia de Tempo de Serviço (FGTS). Agora os golpistas de 2016 querem acabar com a CLT. 

É uma ameaça de rebaixar o Brasil de semicolônia para uma colônia norte-americana, uma espécie de Porto Rico, ou até mesmo pior.

Ditadura Temer significará uma guerra civil contra as condições de vida do povo

A Tendência Marxista-Leninista entende que o golpe inicia sua fase ditatorial, em razão da necessidade da burguesia e do imperialismo norte-americano, tentar salvar o capitalismo brasileiro, buscando a aplicação do “Plano uma ponte para o futuro”, apresentado pelo PMDB,  do golpista Michel Temer.

Esse Plano do imperialismo norte-americano visa acabar com toda a legislação trabalhista, com a Consolidação da Leis Trabalhista (CLT), aumento da jornada de trabalho par 80 horas semanais, aposentadoria aos 70 anos, terceirização/precarização e volta do trabalho escravo, assalto aos recursos bilionários do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e da Previdência Social, entrega do Pré-sal causando um prejuízo de trilhões de reais, ou seja, do petróleo brasileiro para a Chevron e a Shell, congelamento dos recursos para a Saúde, Educação e Saneamento básico por 20 anos, fim dos programas sociais como Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida, Pronatec, Pró-une, Fies, Ciência sem fronteira, Mais médicos, desindustrialização, desemprego, fome, miséria, violência urbana, etc.

Tal Plano é inspirado nas teorias da Escola de Chicago, de Milton Friedman, que inspirou o golpe de estado, a ditadura de Pinochet no Chile. 

Os defensores da Escola de Chicago chegaram a dizer que a experiência chilena foi prejudicada pela ditadura de Pinochet. Porém, na verdade, a aplicação das teorias de Milton Friedman no Chile, somente foi possível por causa do Pinochetazzo que torturou e matou milhares de pessoas.

Então, a burguesia e o imperialismo norte-americano sabem que para a aplicação de seu Plano precisam se apoiar numa enorme e brutal repressão.

Além disso, os golpistas sabem que nenhum aparato repressivo, por mais forte que seja, resiste à ação direta das massas. A história já demonstrou isso com as revoluções.

O Exército tem pés de barros, porque o grosso de suas fileiras é formado por filhos de  operários e de camponeses pobres, sendo que num confronto com o povo, ele tende a se dividir.  

Assim, neste momento, com o golpe “parlamentar” transformando-se em um governo ditatorial, iniciando uma verdadeira guerra civil contra o povo, como revelam os acontecimentos ontem de São Paulo, antes mesmo do governo golpista assumir definitivamente, cumpre aos marxistas revolucionários seguir impulsionando a resistência ao golpe.

A ditadura Temer coloca em risco a unidade nacional

A ditadura Temer impulsionará forças centrífugas dentro do País, colocando em risco a unidade nacional, como aconteceu com nossos vizinhos de colonização espanhola na América Latina e a exemplo do que está ocorrendo na Europa com a saída da Grã-Bretanha da União Europeia, com o “Brexit”.

As burguesias reacionárias e ultraconservadoras de São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Minas Gerais, juntamente com as burguesias de Mato Grosso (comandada por um paranaense) e de Goiás, colocam em risco a unidade nacional, por suas atuações em detrimento dos Estados do norte e do nordeste. 

Assim, a chance do Brasil se dividir, em ao menos dois, é muito grande a partir de agora, com a política a ser implementada pelos golpistas, que acirrará as contradições regionais. 

A crise mundial do capitalismo

A crise mundial de 2008, causada pela “bolha imobiliária” dos Estados Unidos, quando a classe média americana endividada não conseguiu mais efetuar os pagamentos da casa própria, levando à falência de bancos, como o Lehman Brothers, chegou de forma retardatária ao Brasil em 2013.

O governo frente populista de Dilma havia tomado algumas medidas visando evitar a chegada da crise, com a isenção de impostos, como o IPI, para as montadoras, vinculadas diretamente ao imperialismo norte-americano e europeu, bem como para a burguesia paulista, da linha branca (geladeira, fogão, máquina de levar, etc.), o que logicamente fracassou, porque não há como reformar o capitalismo moribundo. 

Essa política paliativa de isenções fiscais do PT apenas retardou as consequências da crise, mas não a impediu.  

O reflexo disso no Brasil, foram as chamadas Jornadas de Julho de 2013, quando trabalhadores da classe média, vinculadas ao setor de serviços (comércio, bancos, financeiras, etc),  sobretudo a paulistana demonstraram profundo descontentamento com manifestações gigantescas contra os governos federal de Dilma Rousseff, do PT, como também o governo do Estado de São Paulo, de Geraldo Alckmin.

Rapidamente a extrema-direita, por meio de provocadores, conseguiu cooptar o movimento, impedindo violentamente bandeiras vermelhas, inclusive espancando os militantes de esquerda, sendo que o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados (PSTU), não teve coragem de reagir, enrolando suas bandeiras e fugindo do confronto com os fascistas, com a extrema-direita.

Essa ação da extrema-direita permitiu que a burguesia opositora, vinculada ao PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira), passasse a aproveitar o descontentamento de setores da classe média, principalmente nas grandes capitais e grandes cidades, canalizando no sentido de impulsionar o golpe contra o governo Dilma do PT.

O objetivo do golpe é reverter a queda da taxa de lucros da burguesia e do imperialismo norte-americano, em razão de que a crise do capitalismo mundial de 2008, que chegou de forma retardatária no Brasil em 2013, agravada pela queda dos preços das “commodities”, dos produtos primários brasileiros de exportação, como o petróleo, o minério de ferro, a carne, a soja, etc., agravada, ainda, em razão da concorrência dos imperialismos chinês e russo, que ganharam espaço na América Latina e no Brasil, com a crise norte-americana e em detrimento dos Estados Unidos.

Embora a vanguarda operária revolucionária tenha desde essa época advertido para o perigo de golpe da burguesia opositora, a direção do PT, a CNB (Construindo um Novo Brasil), ignorou as advertências e continuou agindo como nada estivesse acontecendo, o que desarmou a luta contra o golpe.

A burguesia opositora passou a financiar o golpe, por meio de milionários recursos, bem como utilizando-se do monopólio da mídia 24 horas a favor do golpe, para promover enormes manifestações aos domingos, até com passagem grátis de metrô, com liberação das catracas, pelo governo golpista tucano do PSDB de São Paulo.

O movimento operário e popular, em razão de suas direções burocráticas, da Central Única dos Trabalhadores (CUT), vinculadas ao PT e a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), vinculada ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB) teve muita dificuldade inicialmente para se contrapor às manifestações da burguesia opositora. 

Apenas mais no final do ano passado foi que a essas direções conseguiram mobilizar os setores mais organizados, os quais fizeram gigantescas manifestações pelo país afora, mas com um eixo de luta rebaixado, ou seja, apenas de luta pela manutenção da democracia burguesa (que não passa da ditadura do capital), sem uma perspectiva revolucionária de colocar as reivindicações transitórias da classe operária, subordinando a ação direta à luta parlamentar no Congresso Nacional, isto é, na Câmara dos Deputados e no Senado Federal.

As instituições burguesas antidemocráticas e golpistas

Ocorre que o Congresso Nacional é formado com base em eleições profundamente antidemocráticas, com base no financiamento privado de campanhas com dinheiro dos bancos, das grandes empreiteiras e das grandes empresas, com o tempo de propaganda no rádio e na televisão apenas para os grandes partidos da burguesia, com os partidos operários e populares dispondo apenas de alguns segundos!

Além disso, a democracia burguesa (na verdade a ditadura do capital) no Brasil, era extremamente limitada, sendo que o aparato repressivo havia sido mantido intacto, com a Constituição de 1988, que sequer o PT a assinou, por causa de suas extremas limitações, coisa que pouca gente se lembra hoje. Infelizmente, essas “instituições”  repressoras foram aumentadas pelo próprio PT que criou a “Força Nacional de Segurança”. Sem falar que o aparato repressivo privado da burguesia aumentou sobremaneira com a proliferação de “empresas de segurança”, organizadas por policiais e militares, para trabalharem nas “horas vagas”, fazendo “bicos”, constituindo-se em verdadeiras organizações paramilitares.  

Essa Constituição permite, ainda, que no Poder Judiciário, os magistrados não sejam eleitos, não se submetam ao sufrágio universal, ao voto, ou seja, ao controle do povo, assim como outras “instituições permanentes”, como o Ministério Público, a Polícia Federal, entes públicos que acabam sendo ocupados por usurpadores que impulsionaram o golpe.

Essas “instituições permanentes” foram fundamentais para o processo golpista, sendo que, na preparação do golpe, o Supremo Tribunal Federal se deu ao luxo, ao requinte, de “afastar” o principal líder do golpe, o capitão do golpe, acusado de possuir 9 contas em bancos suíços, com 8,6 milhões de dólares, depois dele ter feito todo o trabalho sujo. Mas tal “afastamento” foi apenas formal, um espécie de licença, isto é, ficou dispensado de comparecer às dependências da Câmara dos Deputados, todavia Cunha continua recebendo vencimentos, salários, e todas as vantagens do cargo, inclusive a manutenção de assessores e funcionários e mansão para morar, ou seja, foram mantidas as mordomias.

O Supremo Tribunal Federal tem uma longa lista de trabalhos prestados à burguesia e ao imperialismo norte-americano e, inclusive à Alemanha nazista, historicamente, como a entrega a Hitler da militante comunista Olga Benário Prestes, assim como da condenação sem provas dos militantes do PT, com base na nazi-fascista “Teoria do Domínio do Fato”, e a supressão do princípio democrático da presunção de inocência. 

Num espetáculo circense, demonstrando o total despreparo da quase totalidade dos deputados federais, a Câmara dos Deputados votou por 367 a 137, o encaminhamento do golpe (pedido de “impeachment”) para o Senado Federal. 

Em seguida, na madrugada do dia 12 de maio passado, o Senado Federal aprovou por 55 a 22 (com 2 ausências) o afastamento da presidenta Dilma Rousseff do PT, por meio de golpe “parlamentar”, eufemisticamente chamado de “empeachment”.

O golpe foi dado a pretexto de “pedaladas fiscais” (uma espécie de empréstimo do governo junto aos bancos públicos para pagar as contas referentes aos programas sociais da população mais pobre, como Bolsa Família, por exemplo), uma prática comum de todos os governos, inclusive o governo burguês neo-liberal de Fernando Henrique Cardoso, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), assim como dos governadores e prefeitos. Como se diz no Brasil: uma desculpa esfarrapada.

O Partido dos Trabalhadores (PT) não votou a Constituição Federal de 1988, como já dissemos, porque entendia que o aparato repressivo da ditadura militar havia sido mantido intacto. Infelizmente, o PT foi se aburguesando e criou essa força de repressão, que juntamente com a proliferação das “empresas de segurança” e das “guardas civis” aumentaram ainda mais o aparato repressivo contra os trabalhadores e o movimento popular, principalmente o povo jovem, pobre e negro das periferias das cidades.

Como nos ensinou o falecido médico, historiador e dirigente do Partido Comunista Brasileiro, Leôncio Basbaum, em sua obra “História Sincera da República, de 1961 a 1967”, pág. 121, Editora Alfa-Omega, 1977:

“Até há poucos anos, a segurança nacional era antes de tudo a segurança da pátria contra um possível inimigo externo. As manobras militares imaginam um inimigo vindo do exterior, por mar ou por terra e toda a estratégia de defesa era então revista, pelo menos teoricamente. Era uma estratégia defensiva. Mas nestes últimos anos, sobretudo depois que as personalidades civis e militares norte-americanas começaram a fazer conferência na ESG (Escola Superior de Guerra – Nota de Ignácio Reis), o conceito de “segurança nacional” se refere sobretudo a um inimigo interno”.

Essa é a doutrina da “Segurança Nacional”, elaborada pelo General Golbery do Couto e Silva, do “Grupo da Sorbonne” a dita “inteligentsia” do Exército, teoria essa baseada no nazista Hermann Goering, que trata o povo brasileiro como inimigo interno.

Assim, as chamadas “forças de segurança”, ao invés de se colocarem para a defesa da pátria, são aliadas de nossos inimigos externos, os imperialismos norte-americanos, europeus e asiáticos e da burguesia nacional, estando voltadas com o povo brasileiro, o inimigo interno.

As Olimpíadas permitiram o avanço da especulação imobiliária, pois o setor patrocina a repressão à população pobre na ânsia para conseguir retomar os espaços ocupados pelos pobres, motivo pelo qual é criado esse estado de terror na cidade, inclusive com a atuação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) que não têm nada de pacificadoras, mas sim de aterrorizadoras. 

Acrescente-se que, às vésperas do golpe, Dilma Roussef e o ministro da Defesa da época, Aldo Rebelo, do PCdoB, conseguiram  transferir para exercer cargo burocrático o general Antônio Hamilton Mourão, do Comando Militar Sul, um dos postos de comando do Exército mais importante, o que fez “declarações dadas a oficiais da reserva na qual fez duras críticas à classe política, ao governo e convocou os presentes para “o despertar de uma luta patriótica.” e ainda “fez uma homenagem póstuma ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, morto no dia 15 deste mês, acusado de torturar presos durante o regime militar”, o torturador da presidenta Dilma Rousseff, conforme notícia veiculada na mídia golpista na época.

Mas insistimos, o Exército tem pés de barros, porque o grosso de suas fileiras é formado por filhos de  operários e de camponeses pobres, sendo que num confronto com o povo, ele tende a se dividir. Nenhum aparato repressivo tem condições de conter a ação direta das massas, como comprovaram as revoluções.  

Assim, com a participação desses “instituições” permanentes, consumou-se o golpe de estado da burguesia e do imperialismo norte-americano.

Ofensiva imperialista dos Estados Unidos e da OTAN na Ameríca Latina e no Mundo

A crise do capitalismo é terminal. Nem a Inglaterra e a França conseguem manter uma fachada de democracia burguesa (que como insistimos, não passa da ditadura do capital), pois, na última, François Hollande, presidente, e Manuel Valls, primeiro-ministro, governam com base no estado de emergência (espécie de estado de sítio, decerto modo um eufemismo jurídico).   

O imperialismo norte-americano, para superar a sua crise, além de oprimir ainda mais o seu povo, como os negros nas cidades americanas (por exemplo, os assassinatos de negros pela polícia em Baltimore, Ferguson e outras) partiu para uma política de recolonização dos povos, e busca colocar no poder governos títeres, como a ditadura de Michel Temer.

Para tanto, a burguesia entreguista e o imperialismo norte-americano chegaram a um consenso em torno do vice-presidente Michel Temer, do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) para substituir  Dilma Rousseff no poder. 

O PMDB foi um partido criado na ditadura militar (1964/1985) que deu sustentação ao ao bipartidarismo dos governo dos militares juntamente com a Aliança para Renovação Nacional (ARENA), o partido dos militares.

Temer elaborou um programa econômico, denominado “Uma ponte para o futuro”, uma verdadeira aberração neo-liberal, um verdadeira guerra civil contra os trabalhadores e a maioria oprimida nacional, que pretende suprimir os direitos dos trabalhadores, constante da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), uma conquista dos trabalhadores há mais de 70 anos, promovendo a terceirização (precarização/escravidão), reduzir ou acabar com a previdência social, com as aposentadorias, pensões, seguro-desemprego, assim como os programas sociais do PT, como Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida, Pró-uni, Pronatec, etc

Assim, é mais um golpe patrocinado pelo imperialismo norte-americano na América Latina, como o ocorrido anteriormente em Honduras, no Paraguai, na Venezuela (derrotado posteriormente com a volta do presidente Hugo Chavez) e Argentina, sem falar dos demais pelo mundo, como na Líbia, Síria, Tailândia, Egito, Ucrânia, etc.

O golpe na Argentina merece uma observação especial, pois embora a burguesia pró-imperialista tenha tomado o governo pelo voto, governa por decreto, prende as lideranças dos movimentos populares e sociais, como a líder indígena Milagro Sala, e persegue a líder das Mães da Praça de Maio, Dona Hebe de Bonafini, coloca como chanceler, como ministra de relações exteriores, a agente da CIA, Susana Malcorra, vincula-se ao Estado sionista e terrorista de Israel. Isso ocorreu também na Alemanha, onde a ascensão de Hitler foi de forma democrática, pois ele foi designado primeiro-ministro pelo presidente Paul von Hindenburg, mas logo, numa provocação, incendiou o Raichstag, o parlamento alemão, depois deu iniciou à II Guerra Mundial.

A liderança do golpe coube à embaixadora norte-americana Liliane Ayalde, golpista profissional, que havia organizado o golpe no Paraguai, a qual foi expulsa da Venezuela pelo presidente Maduro, mas que infeliz e desgraçadamente veio para o Brasil.

O golpe contou, ainda, com total colaboração das “instituições” burguesas permanentes, como o Poder Judiciário, Ministério Público Federal, Polícia Federal (a polícia política do golpe), porque tais “instituições” são controladas de forma permanente pela burguesia, por meio de usurpadores que não são eleitos, não são submetidos ao sufrágio universal, ao voto, isto é, não são controlados pelo povo.

A burguesia e o imperialismo utilizaram as “instituições”, como o Supremo Tribunal Federal, que rasgou a Constituição Federal, condenando os companheiros do PT sem provas, com base na nazi-fascista “Teoria do Domínio do Fato”, acabou com o devido processo legal e o direito do contraditório e da ampla defesa, instituindo em Curitiba, capital do Estado do Paraná, uma Nova Guantánamo, com as pessoas sendo presas sem culpa formada, as chamadas “prisões cautelares” (“prisões temporárias” e “ prisões preventivas”) para se obter  “confissões” e “delações premiadas”, prisões essas que são verdadeira torturas, em total violação aos direitos humanos, logo em seguida acabando com o princípio da presunção de inocência e agora culminando com a cobertura dada ao “impeachment”/golpe.

O golpe para a implantação da ditadura Michel Temer conta com a supressão da liberdades democráticas e dos direitos civis da população, com assassinatos de líderes populares e sociais, como os irmãos Jesser Batista Cordeiro, 29, e seu irmão, Nivaldo Batista Cordeiro, 32 anos, foram assassinados, em Buritis, Rondônia, que pertenciam à Liga dos Camponeses Pobres (LCP), e estavam desaparecidos desde o dia 24 de abril, sendo que seus corpos foram encontrados boiando próximo a linha C-50, Km 25, Porte Rio Formoso. Eles eram do Acampamento 10/5.

Também recentemente, a militante do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Edilma Aparecida Vieira dos Santos, de 36 anos, foi baleada numa passeata, em Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo.


Além disso, a líder indígena Kaiowá, Marinalva Manuel, de 27 anos de idade, que participou de um protesto no Supremo Tribunal Federal, reivindicando 1.500 hectares de terra para sua comunidade de 28 famílias, foi assassinada a golpes de faca, sendo que seu corpo foi encontrado no dia 1º de maio, em Dourados, Mato Grosso do Sul.


Ainda recentemente, a Polícia Militar do Paraná fez uma emboscada e massacrou mais de 20 sem-terras, militantes do MST, matando 2 e ferindo os demais, massacre promovido a mando da empresa Araupel, de reflorestamento e beneficiamento de madeira, que fica no sudoeste do Paraná, no município de Quedas do Iguaçu, o mesmo estado  que o ano passado massacrou professores, deixando muitos feridos, agora massacram os sem-terras.

Acrescente-se, que o presidente do PT da cidade de Mogeiro, na Paraíba, Ivanildo Francisco da Silva foi assassinado neste ano.

Demais disso, recentemente, militantes do PT foram presos em Belo Horizonte e em Governador Valadares.

Ontem, dia 30/8, houve uma brutal repressão de uma manifestação pelo “Fora Temer” na Avenida Paulista, pela Polícia Militar (treinada e armada até os dentes pelo Estado terrorista e sionista de Israel) do Estado de São Paulo, governada pelo tucano do PSDB, Geraldo Alckmin.

Além disso, as pessoas pensam que o golpe foi um processo apenas “parlamentar”, “institucional”. Mas o golpe é um conjunto de atos de força. Apenas para exemplificar: as “prisões cautelares” (“prisões temporárias” e “prisões preventivas”, em Curitiba), não foram tortura?; o presidente da Câmara dos Deputados, Waldir Maranhão, que substituiu o golpista Eduardo Cunha, e havia suspenso o processo de “impeachment”/golpe, por meio de despacho requerendo a devolução dos autos que estavam no Senado, foi ameaçado de cassação e até de prisão, tendo “voltado atrás.”;  as atuações midiáticas da Polícia Federal e do Ministério Público Federal e do Estado de São Paulo; os sequestros de Lula, Zé Dirceu, Guido Mantega. Poderíamos enunciar uma infinidade de exemplos mais.

A inviabilidade da democracia burguesa

O  Brasil é um país atrasado, uma semicolônia, onde o imperialismo oprima a nação e, por seu lado, a burguesia nacional oprime o conjunto da nação, sobretudo o proletariado e os camponeses pobres.

A democracia burguesa, que é a ditadura do capital, com o golpe da burguesia e do imperialismo norte-americano demonstra a inviabilidade da democracia burguesa, de um regime constitucional ou do Estado democrático de direito.

Tanto que a nossa Constituição da República de 1988, a chamada “Constituição Cidadã”, que apesar de manter intacto o aparato repressivo, que inclusive, poucos se recordam, fez com que o PT não a assinasse, vinha sendo desnaturada há muito tempo, tendo hoje 91 Emendas.

Tal Constituição recebeu o golpe fatal com o processo do “impeachment”/golpe, mas antes ela já havia sido golpeada pelo Supremo Tribunal Federal golpista, com a condenação sem provas dos militantes do PT, bem como com a votação do fim do princípio da presunção de inocência.

Antigamente, a democracia formal burguesa era possível nos países capitalistas avançados, todavia agora com a crise terminal do capitalismo, nem países como a França e os próprios Estados Unidos são capazes de mantê-la.

Na França, a exemplo do que está acontecendo no Brasil, os capitalistas atacam os direitos trabalhistas e previdenciários da população, enquanto nos Estados Unidos a polícia, também como no Brasil, promove o genocídio do povo pobre e negro.

A única saída para a humanidade é o socialismo.

O fracasso da política de colaboração de classes do PT

O golpe da burguesia entreguista e do imperialismo norte-americano marca o fracasso da política de colaboração de classes do PT (“frente populista”), isto é, a política de alianças com os partidos burgueses como o próprio PMDB, PP, PSB, PDT, etc., que ao longo dos últimos anos traiu os interesses históricos da classe trabalhadora brasileira.


O PT soma-se ao Partido Comunista Brasileiro como uma experiência frustrada dos trabalhadores brasileiros de construir um partido buscando sua independência de classe.

O desembarque dos partidos burgueses da frente de colaboração de classes impulsionou o golpe, sendo que restou apenas com o PT, no máximo, a sombra da burguesia, como dizia Trotsky.  

Essa política de colaboração de classes tem impedido o aprofundamento e a ampliação da luta contra o golpe, por semear ilusões parlamentares, constitucionais, legalistas, desarmando politicamente a luta contra o golpe, jogando areia nos olhos dos trabalhadores.

O movimento operário e popular contra todas essas arbitrariedades dos golpistas tem promovido mobilizações, mas não conseguiu deter o golpe, em razão da política de colaboração de classes e de capitulação da direção do movimento, que impediu que a Frente Brasil Popular e a Frente Povo Sem Medo derrotassem o golpe.

Importante apontar as vacilações do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), que impulsiona a Frente Povo Sem Medo, liderada por Guilherme Boulos, os quais tiveram uma atuação centrista inicialmente, ao não se colocar contra o golpe, para fazê-lo apenas no final, ainda sim de forma claudicante.

Por outro lado, a política traidora do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados (PSTU), que defendia o “Fora Todos”, que na verdade era o “Fora Dilma”, e de setores do Partido do Socialismo e Liberdade (PSOL), os quais flertaram com o golpe da burguesia e do imperialismo norte-americano.

O Partido Comunista Brasileiro (PCB) não participou da luta contra o golpe, somando mais essa traição à sua história.

Já a Liga Bolchevique Internacionalista (LBI) enxergou o golpe apenas no último momento, não tendo travado nenhuma luta, pouco se diferenciando da direção do PT, assim como o Movimento Revolucionário dos Trabalhadores – Liga Estratégica Revolucionária (MRT/LER-QI).

Uma excrescência foi a posição do Movimento Negação pela Negação (MNN) que chegou a participar das manifestações da burguesia entreguista, pedindo até a prisão de Lula. 

Após a votação na Câmara dos Deputados enviando o processo de “impeachment”/golpe ao Senado Federal, que o admitiu também, o PT passou a buscar um acordo com os golpistas, abandonando a ação direta, a luta nas ruas, acreditando que seria possível chegar a um acordo com os golpistas, o que aplainou o terreno para a consumação do golpe.

Assim, o PT, enquanto instrumento de luta dos trabalhadores, fracassou completamente, em razão de sua política de conciliação e colaboração de classes (frente populista).

Reorganizar a vanguarda: construir o partido marxista operário revolucionário e a Internacional operária e revolucionária

Assinale-se que a vanguarda operária revolucionária, os trotskistas da TML, estiveram e estão na linha de frente da luta contra o golpe, assim como o Partido da Causa Operária (PCO), a Coletivo Socialista Livre, o Coletivo Espaço Marxista e a Gazeta Operária. 

Agora com o golpe consumado, com a instauração da ditadura Temer/Cunha, a resistência têm de dar um salto de qualidade, com um trabalho paciente de explicação aos operários, aos trabalhadores, aos camponeses, aos jovens e aos estudantes, preparando-os para a luta pelas liberdades democráticas, como também para enfrentar os ataques que virão do “programa econômico” da ditadura Temer, sempre utilizando os métodos de luta da ação direta das massas, motivo pelo qual o movimento operário e popular deve preparar e organizar, uma greve geral por tempo indeterminado, com a eleição dos comandos de greve, nas fábricas, nas empresas, nos bancos, nas repartições públicas, nos campos, nas empresa rurais, nas escolas e nas universidade para derrubar a ditadura Temer/Cunha, para que esta seja um curto episódio histórico no Brasil.

Para tanto, a Tendência Marxista-Leninista entende que a partir de agora, tendo em vista  a desorientação e, consequente capitulação, da direção majoritária do Partido dos Trabalhadores, mais do que nunca é urgente o reagrupamento da vanguarda operária revolucionária, no sentido de sua independência de classe, visando a construção de um partido operário marxista revolucionário, para que este busque liderar a nação oprimida, em aliança com os camponeses pobres e lute por um governo operário e camponês, para a realização das tarefas democráticas como expulsão do imperialismo, reforma agrária e revolução agrária, combinada expropriação das fábricas, empresas, bancos, universidades, escolas, empresas agrícolas, expropriação dos latifúndios e do campo, monopólio do comércio exterior e economia planificada, bem como  por uma Internacional operária e revolucionária, rumo ao socialismo. 

- Não ao golpe!

- Abaixo a ditadura Temer/Cunha!

- O povo na rua derruba a ditadura Temer/Cunha!

- Fascistas não passarão!

- Liberdade de manifestação e expressão!

- Liberdade de organização!

- Não à criminalização dos movimentos sociais e populares!

- Liberdade para os presos políticos! Liberdade para Zé Dirceu e João Vaccari!

- Dissolução da Polícia Federal (a polícia política do golpe) e da Polícia Militar!

- Preparar e organizar a greve geral!

- Organizar as milícias operárias e populares a partir dos sindicatos!

- Por um governo operário e camponês!

Tendência Marxista-Leninista, por um partido operário marxista revolucionário

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