terça-feira, 30 de agosto de 2016

Começa a guerra civil contra o povo no Brasil: brutal repressão em São Paulo

Ontem, dia 29/8, dia em que a presidente Dilma compareceu ao Senado Federal para se defender no processo de “impeachment”/golpe, uma manifestação pelo “Fora Temer” golpista, na Avenida Paulista, foi brutalmente reprimida pela Polícia Militar do Estado de São Paulo,  treinada e armada até os dentes pelo Estado sionista e terrorista de Israel, e dirigida pelo governador tucano do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), Geraldo Alckmin. 

Além dessa manifestação em São Paulo, ocorreram diversas manifestações pelos demais estados da Federação brasileira e no Distrito Federal, Brasília, no dia de ontem.

Já hoje pela manhã, em São Paulo, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocupou vias e rodovias na cidade de São Paulo, com as Avenidas Nove de Julho, Francisco Morato, Jacu-pêssego, Radial Leste, e rodovias como a Regis Bittencourt, ou seja, a manifestação envolveu toda a Grande São Paulo.

Todavia, a manifestação de ontem na Avenida Paulista se sobressaiu em razão da feroz repressão:

“Enquanto a presidente afastada respondia a perguntas de senadores em Brasília, cerca de 3.000 pessoas, segunda a organização do ato protestavam contra o governo interino de Michel Temer.

Chamado pelas frentes Povo Sem Medo e Brasil Popular, compostas por organizações como MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) e CMP (Central dos Movimentos Populares), o protesto se aproximava do prédio da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), apoiadora do processo contra Dilma, quando foi dispersado por bombas de gás lacrimogêneo e efeito moral lançadas pela tropa de choque da PM.” (Folha de S. Paulo, 30/8).

A manifestação dirigia-se para a frente do prédio da Fiesp, onde fascistas/vagabundos acampam e são sustentados pela Fiesp. Aí a tropa de choque da Polícia Militar atacou aos manifestantes brutalmente com bombas. 

“A ideia inicial era ocupar o prédio, na frente de onde acampam manifestantes pró-impeachment, mas ele foi cercado por grades e policiais.

Após as primeiras bombas, manifestantes passaram a atirar objetos nos policiais. Foram montadas barreiras em diversos pontos da avenida e de ruas próximas, queimando-se lixo, lixeiras e até uma cadeira. Lixeiras de concreto foram arrastadas para a via.

“Um barbárie. O governo Geraldo Alckmin protegendo a Fiesp, e para isso reprime a manifestação pacífica. É melhor decretar que não pode passar manifestação em frente a Fiesp. Governo ilegítimo sempre tem que usar a força para reprimir manifestações”, disse Raimundo Bonfim, coordenador da CMP.”  (Idem).

Aí a manifestação virou uma batalha campal:

“O ato se reagrupou, mas foi repetidamente dispersado por bombas. Parte dos manifestantes correu então para a rua da Consolação, virando lixeira até a altura da praça Roosevelt, no centro. A PM não utilizou balas de borracha.

De acordo com relato ouvido pela Folha, foram lançadas bombas também dentro da estação de metrô Consolação. “Ninguém conseguia respirar nem enxergar”, afirmou uma jovem, que pediu para não ser identificada. Ela disse que voltava do trabalho.”

(...) O estudante Christian Joel, 18, estava com a cabeça sangrando. Ele saía do cursinho quando foi atingido com um cassete.”  (Idem),

Por outro lado, alguns fascistas foram espancados pelos manifestantes:

“Um grupo de manifestantes agrediu um homem que gritava “viva a PM” e tentava desobstruir a via na altura da rua Bela Cintra. Eles o chamaram de fascista...” (Idem).

A Tendência Marxista-Leninista entende que o golpe inicia sua fase ditatorial,  em razão da necessidade da burguesia entreguista e do imperialismo norte-americano, para tentar salvar o capitalismo brasileiro, busca a aplicação do “Plano uma ponte para o futuro”, apresentado pelo Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB - partido que vem desde a ditadura militar), do golpista Michel Temer.

Esse Plano do imperialismo norte-americano visa acabar com toda a legislação trabalhista, com a Consolidação da Leis Trabalhista, aumentar a jornada de trabalho para 80 horas semanais, aposentadoria aos 70 anos, assalto aos recursos bilionários do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e da Previdência Social, entrega do Pré-sal causando um prejuízo de trilhões de reais, ou seja, a entrega do petróleo brasileiro para a Chevron e a Shell a preço de banana (como Fernando Henrique Cardos fez com a Companhia Vale do Rio Doce, que acabou com o Rio Doce, prejudicando o Estado de Minas Gerais e Espírito Santo), congelamento dos recursos para a Saúde, Educação e Saneamento básico por 20 anos, fim dos programas sociais como Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida, Pronatec, Pró-une, Fies, Ciência sem fronteira, Mais médicos, etc.

Tal Plano é inspirado nas teorias da Escola de Chicago, de Milton Friedman, que inspirou o golpe de estado, a ditadura de Pinochet no Chile. 

Os defensores da Escola de Chicago chegaram a dizer que a experiência chilena foi prejudicada pela ditadura de Pinochet. Porém, na verdade, a aplicação das teorias de Milton Friedman, no Chile, somente foi possível por causa do Pinochetazzo que torturou e matou milhares de pessoas.

Então, a burguesia e o imperialismo norte-americano sabem que para a aplicação de seu Plano precisam se apoiar numa enorme repressão brutal.

Os acontecimentos de ontem de São Paulo e de outros lugares apontam que a tendência é ocorrer um enfrentamento do movimento operário e popular que vem demonstrando muita disposição de luta, apenas contido em razão das direções, reformistas, socialdemocratas, stalinistas e burocratas, que desenvolvem uma política de conciliação e colaboração de classes (frente populista), como o Partido dos Trabalhadores (PT), o Partido do Socialismo e Liberdade (PSOL), o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados (PSTU), os quais tendem a ser superados por um reagrupamento de uma nova vanguarda operária e revolucionária, com o acirramento da luta de classes.

Além disso, os golpistas sabem que nenhum aparato repressivo, por mais forte que seja, resiste à ação direta das massas, a história já demonstrou isso com as revoluções.

O Exército tem pés de barros, porque o grosso de suas fileiras é formado por filhos de  operários e de camponeses pobres, sendo que num confronto com o povo, ele tende a se dividir.  

Assim, neste momento, com o golpe “parlamentar” transformando-se em um governo ditatorial, iniciando uma verdadeira guerra civil contra o povo, como revelam os acontecimentos ontem de São Paulo, antes mesmo do governo golpista assumir definitivamente, cumpre aos marxistas revolucionários seguir impulsionando a resistência ao golpe.

Essa resistência passa pela defesa da ação direta, buscando a preparação e a organização de uma greve geral, com comandos eleitos nas fábricas, nas empresas, nos bancos, nas repartições públicas, no campo, nas empresas agrícolas, nas escolas e universidades.

Além disso, é fundamental que sejam organizados comitês de autodefesa, as milícias operárias e populares a partir dos sindicatos, rumo ao armamento do proletariado e dos camponeses, na perspectiva de instauração de um governo operário e camponês, para cumprir as tarefas democráticas, como expulsão do imperialismo e reforma e revolução agrárias, rumo ao socialismo, com a expropriação dos meios de produção, das  empresas, das fábricas, dos bancos, do campo, dos latifúndios, as empresas agrícolas, edificando uma economia planificada, com o monopólio do comércio exterior.

Tendência Marxista-Leninista, por um partido operário marxista revolucionário.

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