domingo, 24 de julho de 2016

Surge o “Mais” oportunista: produto da decadência do morenismo no Brasil

O racha do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU), que com a sua palavra de ordem central, “Fora Todos”, objetivamente apoiou o golpe da burguesia entreguista e do imperialismo norte-americano que depôs a presidenta eleita do Brasial, Dilma Rousseff, realizou o Ato Público de lançamento de sua nova organização, denominada de “Mais”, ontem sábado, dia 23 de julho.

Compareceram a um dos auditórios do luxuoso Club Homs (o Ato contou com uma estrutura técnica perfeita), na Avenida Paulista, centro financeiro da cidade de São Paulo, capital do Estado, aproximadamente de 1.500 a 2.000 pessoas. O “Mais” coloca como bandeiras centrais de “Fora Temer’ e “eleições gerais”. 

Chamou à atenção o “espetáculo circense ou teatral” do Ato, que contou com uma militante animadora de palco.

Ficou claro no Ato que o “Mais” será mais um agrupamento centrista pequeno-burguês que seguirá uma política eleitoreira, democratizante e pró-imperialista, como o Partido Socialismo e Liberdade  (PSOL), mais para o partido REDE de Marina Silva (inclusive por causa da palavra de ordem eleições gerais para legitimar o golpe e fortalecer aos golpistas!) e outros semelhantes existentes no espectro político brasileiro, muito pior do que o Partido dos Trabalhadores (PT). Alguns grupos marxistas revolucionários no Brasil, dentre eles a nossa TML, criticam a política de colaboração de classes e frente populista do  PT e o seu aburguesamento, mas o aburguesamento do “Mais” é uma coisa indescritível, o que demonstra a total decadência da Liga Internacional dos Trabalhadores (LIT), do morenismo.  

Como assinalamos em nosso artigo “Apoio ao golpe rachou o PSTU morenista no Brasil” (disponível em nosso blog):

“Centenas de militantes, dentre eles destacam-se o professor Valério Arcary, membro histórico da direção do PTSU e a vereadora Amanda Gurgel, assinaram o MANIFESTO PELA CONSTRUÇÃO DE UMA NOVA ORGANIZAÇÃO SOCIALISTA E ROVOLUCIONÁRIA NO BRASIL, onde explicitaram os motivos da ruptura, a qual a nós da Tendência Marxista-Leninista criticaremos abaixo, apontando os pontos positivos e negativos do racha, bem como suas limitações.

A Tendência Marxista-Leninista sempre criticou a política sectária e oscilante entre o ultraesquerdismo e o oportunismo do PSTU. Ou seja, sempre criticamos a política do “Fora Todos”, que na verdade era o “Fora Dilma”, fazendo com que o PSTU fizesse, na prática, frente única com a burguesia entreguista e o imperialismo norte-americano.

Além disso, a TML sempre criticou os desdobramentos dessa política, como a política divisionista no movimento operário, com a criação da CSP-Conlutas, a velha ideia de “sindicatos vermelhos”, “sindicatos paralelos”, política ultraesquerdista, do “terceiro período”, da III Internacional stalinizada. Tal política fez com que o PSTU se distanciasse do movimento operário e de massas, pois implicava concretamente na recusa de intervir revolucionariamente na principal central operária brasileira, a Central Única dos Trabalhadores, quando o certo é intervir em todas as organizações sindicais, independentemente de suas direções burocráticas, pelegas e traidoras, desenvolvendo uma política no sentido da organização independe do proletariado, transformando de “classe em si”, para “classe para si”, com consciência de classe revolucionária, pressuposto indispensável para a construção do partido operário marxista revolucionário.

Ainda, a TML sempre criticou a política oportunista de acordos traidores dos sindicatos controlados pelo PSTU, como o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Metroviários de São Paulo. Em São José dos Campos, são conhecidos os acordos coletivos traidores com a General Motors e a Embraer, só para exemplificar. Aqui, em São Paulo, são conhecidos as sabotagens e traições às lutas e greves do metroviários. O omissão e apoio na prática ao governo do Estado de São Paulo, quando este exigiu dos metroviários que fizessem horas extras para dar suporte às manifestações coxinhas da burguesia e da direita para derrubar Dilma Rousseff, do PT.

A TML sempre advertiu que a pauta da burguesia de corrupção é antiga, sendo sempre utilizada para golpe, como o contra Getúlio Vargas, em 1954, contra João Goulart, em 1964, que instalou a ditadura militar. Essa política vem desde a época da União Democrática Nacional (UDN), de Carlos Lacerda, sendo patrocinada pelos Estados Unidos, pelo Departamento do Estado, o FBI e a CIA. A corrupção é inerente ao sistema capitalista. Parafraseando, Malcom X, que disse que não existe capitalismo sem racismo, podemos dizer que não existe capitalismo sem corrupção. O capitalismo é o último regime da exploração do homem pelo homem 

A TML sempre criticou os grupos e organizações satélites do PSTU, como o Movimento Negação pela Negação (MNN), o Movimento Revolucionário dos Trabalhadores – Liga Estratégica Revolucionária (MRT/LER-QI), e a Liga Bolchevique Internacionalista (LBI). O MNN chegou a pedir a prisão de Lula, numa posição claramente nazi-fascista. O MRT chegou a ir em manifestação da direita, sem vestir camisas vermelhas. Foi “disfarçado”. Somente às vésperas do golpe, passou a lutar contra o mesmo, como a LBI.

Então, distanciamento do PSTU e de seus satélites, do movimento operário e de massas (tanto isso é verdade que não mobilizavam nem 1.000 pessoas nas suas manifestações, na maioria das vezes apenas em torno de uma centena de pessoas) fez com que eles morressem abraçados com a burguesia e o imperialismo norte-americano, sendo o racha no PSTU o reflexo dessa política. A política centrista pequeno-burguesa leva sempre ao distanciamento do movimento operário e de massas e à fragmentação e dispersão.

A autocrítica do setor que rompeu com o PSTU é limitadíssima. Primeiro porque começa demonstrando o caráter oportunista da ruptura: 

“Reconhecemos o PSTU como uma organização revolucionária. Não pensamos que é menos revolucionário agora do que antes. Mas às vezes é impossível aos revolucionários pertencer a uma mesma organização. Apostamos na possibilidade de uma separação amigável, e portanto exemplar, muito diferente de rupturas explosivas e destrutivas que o passado tanto viu. Mantemo-nos, por isso, nos marcos da Liga Internacional dos Trabalhadores, na qualidade de seção simpatizante.”

De início é preciso assinalar que, num partido operário marxista revolucionário, não é impossível aos revolucionários pertencer a uma mesma organização, porque num partido leninista e trotskista são garantidas tendências e frações, ao contrário da concepção stalinista dos morenistas.

Em seguida, a fração que deixou o PSTU diz:

“(...) nos colocamos a serviço da IV Internacional. Abraçamos a herança do trotskismo latino-americano que teve em Nahuel Moreno seu principal dirigente e organizador.”

A TML defende que a IV Internacional realmente foi destruída, após um breve período de luta contra o pablismo. Agora a tarefa dos revolucionários é construir uma nova Internacional operária, marxista e revolucionária. Por outro lado, Nahuel Moreno, como os demais dirigentes que se reivindicaram o Programa de Transição de Leon Trotsky, desenvolveram uma política pablista, de capitulação ao stalinismo e de defesa de frente populares, frente populista, sem travar uma luta contra o nacionalismo burguês. Moreno, na Argentina, colocou sua organização "Sob as diretivas do General Perón e o Comando Superior Peronista", defendendo uma política de frente popular e menchevique, de revolução de fevereiro, de revolução democrática burguesa, etapista, abrindo mão da defesa da Teoria da Revolução Permanente, a qual demonstrou que somente o proletariado, apoiado pelo conjunto dos trabalhadores, pelos camponeses pobres, instaurando um governo operário e camponês, poderá realizar as tarefas democráticas de expulsão do imperial
ismo, de independência nacional, e de realizar a reforma e revolução agrárias, combinada com a revolução socialista de expropriação das fábricas, empresas, bancos, campo, latifúndio, empresas agrícolas, monopólio do comércio exterior, economia planificada, rumo ao socialismo.

A Fração que rachou com o PSTU defende Frente de Esquerda Socialista, que, com certeza, deve ser uma frente eleitoral e social-democrata, como a Frente de Esquerda argentina, do Partido Obrero (PO) e do Partido de los Trabajadores Socialistas (PTS), para levar a “esquerda” ao Congresso (“Llevemos a la izquierda al Congresso”, conforme Prensa Obrera, nas últimas eleições). Jorge Altamira há anos luta para se apossar da herança de Moreno.

Assim, tendo em vista constatação da falência do Partido dos Trabalhadores (PT), em razão da sua política de colaboração de classes, frente populista, de aliança com partidos burgueses, assim como a tentativa do Partido Liberdade o Socialismo (PSOL) fadada ao fracasso de reeditar um novo PT “sem os vícios e sem os erros”, é necessário que a fração que rompeu com o PSTU faça uma autocrítica radical, que vá à raiz dos problemas, que detecte os interesses das classes inimigas do proletariado que estiveram por trás de suas posições, que fizeram que adotassem as bandeiras da burguesia e do imperialismo, dos inimigos de nossa classe.”

A TML distribuiu no Ato o seu Boletim Luta de Classes n. 2, de julho, sendo que em agosto lançará o seu Jornal Luta de Classes, que receberá o n. 3, sendo que estamos discutindo ainda a sua periodicidade, ou seja, se será bimensal ou trimestral.

Erwin Wolf
Tendência Marxista Leninista, por um partido operário marxista revolucionário

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