sábado, 18 de junho de 2016

Reflexões sobre a eliminação da Seleção brasileira na Copa América

A Seleção brasileira de futebol foi eliminada pelo Peru, ainda na fase de grupos na Copa América Centenário, que está sendo realizada no Estados Unidos.

A imprensa considerou precoce e surpreendente a eliminação da Seleção brasileira e pediu a cabeça de Dunga e de Gilmar Rinaldi, ou seja, de toda a Comissão Técnica.

Todavia, é necessário analisar as mudanças que ocorreram no futebol nos últimos anos.

Houve uma grande evolução do futebol mundial, o qual passou a ser praticado em todos os lugares do mundo: África, Ásia, Oriente Médio e América do Norte.

Além disso, houve um grande desenvolvimento técnico e tático do futebol europeu a partir de 1974, com a Seleção da Holanda, “a laranja mecânica”, do técnico de Rinus Michels. O futebol praticado pela Alemanha, Espanha, França e Itália é excelente. 

Na América do Sul também houve um importante desenvolvimento, embora não tão expressivo como o europeu. Além de Brasil e Argentina, a Colômbia, o Equador e o Peru praticam um bom futebol, enquanto a Venezuela que sempre foi o pior futebol sul-americano, hoje também pratica um bom futebol.

Assim, o resultado em que o Brasil perdeu de 7 a 1 para Alemanha, embora seja um resultado surpreendente, não é um resultado absurdo, que pode ocorrer. Por exemplo, na Copa de 1954, na fase de grupos a Hungria venceu a Alemanha, por  8 a 4, embora tenha perdido a final para a própria Alemanha, por 2 a 1. Futebol é futebol! Uma caixinha de surpresas! Tudo pode acontecer, por isso o encanto do futebol.

Então, voltemos à partida com o Peru, que resultou na eliminação da Seleção brasileira. O Brasil dominou o primeiro tempo, com o Peru, dirigido pelo ex-técnico do Palmeira, o argentino Ricardo Gareca, ficando basicamente na marcação atrás da linha da bola, sem incomodar a defesa e  goleiro brasileiro. No segundo tempo, Gareca soltou mais a Seleção peruana, que passou a fazer alguns contra-atraques, dando umas pontadas. Aos poucos o Peru passou a equilibrar o jogo e começou a ameaçar o Brasil, até que saiu o gol irregular, de braço, de mão, de Ruidíaz, faltando apenas 16 minutos para o final. Aí a Seleção e Dunga, o técnico brasileiro, se perderam completamente, sendo dominados pelo Peru. Inclusive, Dunga deixou de fazer duas substituições que ainda restavam, como aliás havia ocorrido na Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, demonstrando o seu despreparo para ocupar o cargo, ao menos emocional, pois ficou passivo e inerte, não esboçando reação. Qualquer treinador minimamente preparado teria feito as duas substituições.

A estratégia de Ricardo Gareca, técnico do Peru, repetiu-se novamente na partida de ontem contra a Colômbia, quando o time peruano novamente fez uma marcação forte, atrás da linha da bola, no primeiro tempo, para na etapa complementar se soltar mais, conseguindo um empate de 0 a 0 no tempo normal e sendo desclassificada apenas nos pênaltis por 4 a 2.  

A escolha de Tite e a perspectiva da Seleção brasileira

O presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Marco Polo del Nero, convidou novamente Adenor Leonardo Bachi, Tite, o técnico do Corinthians, para ser o novo técnico. 

Marco Polo del Nero está sendo perseguido pelo CIA e o FBI em razão de disputas do imperialismo norte-americano com o europeu pelo domínio da Federação Internacional de Futebol Associado (FIFA) - assunto que abordaremos no final deste artigo, sendo que Tite anteriormente havia firmado um abaixo-assinado pela saída de Marco Polo da CBF.

Embora Tite indubitavelmente seja mais preparado do que Dunga tecnicamente, não restam dúvidas de que pouco poderá fazer para reverter a situação vivida pela Seleção brasileira.

Hoje em dia, houve um desenvolvimento enorme da preparação física. Com isso o campo ficou “pequeno”. O futebol de campo virou “futebol de salão”. A chamada “marcação alta” (a marcação feita pelos atacantes) e a dita “recomposição da equipe” é a marcação do futebol de salão aplicada e adaptada ao futebol de campo. 

O 4-2-3-1 de Tite aplica essa tática.

Não obstante, há a necessidade de treinamento diário. Há necessidade do trabalho coletivo, o que é muito difícil de fazer com os jogadores brasileiros, uma vez que a quase totalidade dos convocados atuam na Europa, dependendo da liberação dos clubes europeus, os quais não os liberam com a devida antecedência para os treinamentos. Tal fato faz com que a nossa Seleção se apresente com um “catadão” (“cata” um jogador aqui outro ali) nos torneios sem que esteja preparada e treinada. Isso não vemos  perspectiva de mudança.

Além disso, ao que tudo indica, há ingerência dos patrocinadores da Seleção, grandes empresas internacionais e bancos, inclusive na convocação dos jogadores. Observamos que é muito comum um jogador, que está sendo encaminhado para os clubes europeus, ser convocado pela Seleção, como “vitrine”, sendo “valorizado”, antes da venda para o exterior. Isso em detrimento de outro ou outros jogadores em melhores condições. E tal quadro também não vai ser alterado.

Assim, o Brasil, com certeza, terá dificuldades de fazer uma boa campanha nas Olimpíadas do Rio 2016, o que dirá vencê-la, obtendo um título inédito. Da mesma forma, o Brasil está fora da zona de classificação nas Eliminatórias sul-americanas, em sexto lugar, sendo que, em setembro, enfrentará as fortes equipes de Equador e Colômbia, correndo o risco de não se classificar, embora deva ir à Copa do Mundo da Rússia, em 2018, em razão da repescagem com alguma fraca equipe da Oceania.  

Por que então o nosso ceticismo? Porque todo o esquema corrupto da CBF é inerente ao capitalismo. É o mesmo esquema da Fifa. É o esquema dos clubes, das federações, das confederações, sendo certo que nesse quadro a indicação de Tite não será panaceia para resolução de todos os males do nosso futebol.

A disputa do imperialismo norte-americano e o europeu na Fifa

A Fifa, em 26 de fevereiro, elegeu Gianni Infantini como o novo presidente da entidade, todavia as disputas vão se acirrar, devido à decisão dos Estados Unidos de monopolizar os  “negócios do futebol”, desde o ano passado.

Em, 27 de maio do ano passado, na Suíça, ocorreram as prisões midiáticas (para o delírio da imprensa venal, da pequena-burguesia e da classe média brasileira) de dirigentes do futebol mundial, vinculados à FIFA, acusados de corrupção, prisões essas ordenadas pelos Estados Unidos, que sobre o pretexto de uma investigação, em razão dos interesses americanos (essas apurações haviam sido submetidas à apreciação de juiz alemão que não deu a mínima para as mesmas, com certeza por ter entendido que se tratava de querela entre usurários e bandidos).

Os EUA continuam se arvorando a polícia do planeta. É a “pax americana”, a exemplo da “pax romana”.  Como Lênin ensinou, a época dos monopólios, do capital financeiro (industrial + bancário), é a época imperialista, da reação em toda linha, de guerra e revoluções.

Perseguem Edward Snowdem, ex-agente de uma empresa ligada à CIA, que revelou as arbitrariedades e os crimes os de espionagem do Império e Julian Assange, do WikiLeaks, que também fez revelações sobre a podridão yankee, sendo que, no caso deste último, até a própria ONU (nunca esquecer o que disse Lênin de sua antecessora, a Sociedade das Nações: “um covil de bandidos”) condenou os Estados Unidos, o Inglaterra e a Suécia por causa da perseguição.

Com relação à Fifa, com certeza os Estados Unidos moveram-se por causa de seus interesses financeiros contrariados, ou seja, em virtude de empresas como Nike, Red Bull, Coca-cola etc., pois perderam a disputa pelas sedes de 2018 para a Rússia e 2022 para o Catar. 

Agora o que o EUA estão fazendo é correr atrás do prejuízo de suas empresas, querem recuperar o dinheiro que perderam ou deixaram de ganhar, com os expedientes de extorsão, como a conhecida nazi-fascista delação premiada (lembram-se na Alemanha nazista os filhos eram incentivados a delatarem os pais), processo esse que já se iniciou com a transação do brasileiro J. Hawilla, da Traffic, empresa de marketing esportivo, que “concordou” em devolver U$ 158 milhões dólares, mais ou menos 473 milhões de reais. É ainda prejudicar ou inviabilizar a Copa da Rússia. 

Se fosse por problema de corrupção mesmo, deveriam antes ter apurado a compra das sedes das Olimpíadas de Atlanta em 1996  e de Salt Lake City em  2002. Sem falar da Copa do Mundo de Futebol de 1994, realizada nos Estados Unidos.  Pura hipocrisia!

As investidas americanas se dão por bem e por mal. Anteriormente, empreenderam uma aproximação com Cuba, preocupados com a construção pelo Brasil do porto na Ilha, que poderá impulsionar o comércio da Refinaria brasileira de Pasadena.

Antes, ainda, os EUA apoiaram golpes em Honduras, Paraguai; derrubaram Kadafi, na Líbia; apoiaram um golpe nazi-fascista na Ucrânia; atacam as Repúblicas de Donbass e Donest; apoiaram golpe militar para derrubar governo eleito democraticamente no Egito; armaram e usaram o Estado Islâmico contra o Iraque e a Síria, desestabilizando a região; tudo isso como forma de apoiar o Estado sionista e terrorista de Israel contra o povo palestino.

Os EUA tem dado origem, também recentemente, a uma série de escaramuças com a China em razão do mar do Sul da China.

Começa a pegar fogo a luta entre o imperialismo dos EUA e da União Europeia e o Bloco Eurásico, Rússia e China, formado por ex-estados operários, hoje imperialistas.

O capitalismo vive uma crise, que ameaça até deflagração da III Guerra Mundial e não vai ser diferente na Fifa.

Paz nos estádios, união das torcidas e expropriação dos clubes, das federações, e da CBF

Os clubes, as federações e a Confederação Brasileira de Futebol estão organizados como entidades privadas (na verdade são empresas privadas).

A Tendência Marxista-Leninista defende que as torcidas, os torcedores de todos os clubes, que são operários, trabalhadores, camponeses, jovens e estudantes se unam,  para que haja paz nos estádios para o fortalecimento da luta pela expropriação dos clubes, das federações e da CBF, sob controle dos torcedores, dos trabalhadores.

Essa união é fundamental para que os clubes, as federações e as confederações sejam administrados pelos torcedores, pelos trabalhadores.

Neste momento, essa luta passa pelo fortalecimento da luta desenvolvida pela torcida organizada do Corinthians contra o roubo da merenda escolar pela máfia do governo do Estado de São Paulo e contra o golpe da burguesia nacional entreguista e do imperialismo norte-americano, que vem sendo duramente reprimida pela Polícia Militar. 

Simultaneamente, é fundamental a luta pela construção de um partido operário marxista revolucionário, com a perspectiva de instauração de um governo operário e camponês, para a realização das tarefas democráticas, com expulsão do imperialismo, reforma e revolução agrária, com a expropriação das empresas, das fábricas, dos bancos, do campo, dos latifúndios, das empresas agrícolas, com monopólio do comércio exterior e economia planificada, rumo ao socialismo. 

Tendência Marxista-Leninista, por um partido operário marxista revolucionário

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