sábado, 11 de junho de 2016

Mais um gigante do xadrez nos deixou: agora foi a vez de Vitor Korchnoi

*J. Aragão especial para a TML

Ainda recentemente perdemos o Grande Mestre espanhol, Arturo Pomar, agora perdemos Vitor Korchnoi, no dia 6 de junho, que faleceu em Wohlen, na Suíça. Korchnoi nasceu em Leningrado, em 23 de março de 1931.

Kortchnoi foi um fortíssimo jogador de ataque, tendo ganhado 4 vezes o campeonato da União Soviética, nos anos 1960, 1962, 1964 e 1970.

Korchnoi tornou-se Mestre Internacional em 1954 e Grande Mestre Internacional em 1956.

Além disso, ganhou diversos torneios internacionais, tendo ficado em segundo lugar no Interzonal de 1967, em Sousse, na Tunísia, e ganho o Interzonal de 1972.

Korchnoi disputou duas vezes o título mundial contra Karpov, em 1978, em Baguio, nas Filipinas, e em 1981, em Merano na Itália, embora não tenha obtido o título mundial.

Korchnoi acabou se exilando na Suíça, rompendo com o regime estalinista, principalmente porque a URSS privilegiava ao enxadrista Anatole Karpov, o campeão mundial. Não foi o primeiro grande enxadrista a romper com o regime soviético. O próprio campeão mundial franco-russo Alexander Alekine, segundo consta, conseguiu sair da Rússia Soviética, devido à intervenção do próprio Leon Trotsky, em 1918.

A Escola de Xadrez da União das Repúblicas Soviéticas foi a maior de todos os tempos até hoje, criada praticamente pelo campeão mundial Mikail Botivinik, campeões como Vissily Smislov, Mikail Tal, Boris Spasky, Gary Kasparov e fortes jogadores como Victor Kortchnoi e Paul Keres,  vice-campeões mundiais.

O sucesso do xadrez soviético e da URSS nos esportes deveu-se à Revolução Russa de 1917, onde a classe operária tomou o poder com o Partido Bolchevique, liderado por Vladimir Lênin e Leon Trotsky, expropriando a burguesia, passando a adotar o monopólio do comércio exterior e a economia planificada, liberando as forças produtivas (para vencer a lei do valor do capitalismo), numa sociedade de transição para o socialismo que foi uma experiência vitoriosa, nos seus 74 anos de existência, apesar da degeneração da burocracia stalinista, que propiciou a restauração capitalista.

No Brasil, Korchnoi ficou conhecido em razão da disputa com o nosso maior enxadrista de todos os tempos, Henrique da Costa Mecking, o Mequinho, na disputa para ser o candidato ao título mundial, na época nas mãos de Anatole Karpov. Kochnoi venceu Mequinho, tornando-se o desafiante do campeão mundial. Mequinho passou a ser considerado o 3º jogador do mundo.

Korchnoi, embora não tenha obtido o título de campeão mundial, com certeza, foi um dos maiores jogadores de xadrez de todos os tempos.

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