segunda-feira, 7 de março de 2016

A luta das mulheres contra o golpe no Dia Internacional da Mulher

*por Anita Garibaldi

O dia 8 de março é o Dia  Internacional de luta das mulheres.

No Brasil, em razão do golpe da burguesia nacional e do imperialismo americano em marcha, dedicaremos o nosso dia para atos, manifestações, passeatas, greves, pelos nossos direitos, que estão sendo ameaçados pelos golpistas, pela bancada da bala e dos fanáticos religiosos que pretendem suprimi-los.

Assim, é importante a luta contra o golpe para a manutenção do direito à vida, direito à liberdade e à segurança pessoal, direito à igualdade e a estar livre de todas as formas de discriminação, direito à liberdade de pensamento, direito à informação e à educação, direito à privacidade, direito à saúde e à proteção desta, direito a construir relacionamento conjugal e a planejar a sua família, direito a decidir ter ou não ter filhos e quando tê-los, licença maternidade,  direito de creches, direito aos benefícios do progresso científico, direito à liberdade de reunião e participação política, e direito a não ser submetida a torturas e maltrato, a maioria desses direitos reconhecidos até pela ONU, conforme a Wikipédia. 

Além disso, a luta contra o golpe abre a perspectiva de que tenhamos condições de conquistar o direito ao aborto.

“A discriminação de fato ou de direito contra a mulher tem sido, notadamente em países subdesenvolvidos, um dos principais obstáculos à efetividade do direito à educação e à saúde de crianças e adolescentes [3] .

Mas ela não se manifesta apenas com o tratamento desigual com relação ao homem (o que ocorre com bastante frequência, por exemplo, nas relações de trabalho assalariado). De acordo com o jurista Fábio Konder Comparato, a discriminação também ocorre com a negação do direito à diferença, que o autor define como "a recusa do reconhecimento e respeito dos dados biológicos e valores culturais, componentes do universo feminino" [4] .” (Idem).

O Movimento pró-formação da Tendência Marxista-Leninista no Partido dos Trabalhadores homenageia as mulheres, publicando abaixo, dois artigos do nosso camarada Erwin Wolf, um sobre a obra “Socialismo e as Igrejas”, da grande revolucionária poloca-alemã, Rosa Luxemburgo, fundadora dos Partidos Comunistas alemão e polonês, e outro sobre um artigo de Leon Trotsky, “Rosa Luxemburgo e a IV Internacional”. 

"O Socialismo e as Igrejas – Parte I

O Socialismo e as Igrejas é uma obra da revolucionária polaca-alemã Rosa Luxemburgo, que, na sua época, era o maior nome da luta contra a capitulação da II Internacional ao imperialismo (quando esta votou os créditos de guerra para os seus respectivos países imperialistas) e pela construção da III Internacional, a Internacional Comunista, juntamente com Cristian Racovski, búlgaro, que posteriormente foi presidente da República Socialista Soviética da Ucrânia.

Pela riqueza do poder de argumentação de Rosa Luxemburgo, torna muito difícil fazer um resumo de seu pensamento, por isso optamos por reproduzir com calma, em várias partes, alguns trechos que julgamos significativos dessa obra, hoje oportuna e atual, neste momento em que a bancada “evangélica” tem desenvolvido uma atuação preconceituosa, reacionária, golpista e defendendo ataques aos direitos dos trabalhadores como a terceirização e as MPs 664 e 665 (redução do seguro-desemprego, pensões, etc.).

“(...) Mas nunca os social-democratas instigam os trabalhadores contra o clero, nem interferem em suas crenças religiosas; de modo algum! Os social-democratas (os marxistas - E.W.) do mundo e do nosso país consideram que a consciência e as opiniões pessoais são sagradas. Cada homem pode manter a fé e as ideias que crê serem fonte de felicidade. Ninguém tem o direito de perseguir ou atacar os demais por suas opiniões religiosas. Isto é o que os socialistas pensam. E é por esta razão, entre outras, que os socialistas clamam ao povo que lute contra o regime clarista, que viola continuamente a consciência dos homens ao perseguir católicos, católicos russos, judeus, hereges e pensadores independentes. São precisamente os social-democratas que mais defendem a liberdade de consciência. Portanto, pareceria que o clero deveria prestar ajuda aos social-democratas, que tratam de esclarecer o povo trabalhador. Quanto mais compreendemos os ensinamentos que os socialistas oferecem à classe operária, menos compreendemos o ó
dio do clero para com os socialistas.

Os social-democratas propõem-se a pôr fim à exploração dos trabalhadores pelos ricos. Pensar-se-ia que os servidores da Igreja seriam os primeiros a facilitar esta tarefa para os social-democratas. Por acaso Jesus Cristo (cujos servidores são os padres) não ensinou que “é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino dos Céus”? Os social-democratas cuidam para que se estabeleça em todos os países um regime social baseado na igualdade, liberdade e fraternidade de todos os cidadãos. Se o clero realmente deseja pôr em prática o princípio, “ama teu próximo como a ti mesmo”, por que não recebe com satisfação a propaganda social-democrata? Através de sua luta desesperada e da educação e organização do povo, os social-democratas agem para tirá-los de sua opressão e oferecer aos seus filhos um futuro melhor. A esta altura todos teriam que admitir que o clero deveria abençoar aos social-democratas. Por acaso Jesus Cristo, a quem eles servem, não disse “o que fazeis pelos pobres é 
a mim que o fazeis”?

Por um lado, vemos o clero excomungar e perseguir os social-democratas e, por outro, mandar que os trabalhadores sofram pacientemente, isto é, permitam pacientemente que os capitalistas os explorem. 

(...)

A flagrante contradição entre as ações do clero e os ensinamentos do cristianismo deve levar-nos todos a refletir. Os trabalhadores perguntam-se de como na luta da sua classe pela emancipação, encontram nos servidores da Igreja inimigos e não aliados. Como é que a Igreja defende a riqueza e exploração sangrenta, em vez  de ser o refúgio dos explorados? Para entender este estranho fenômeno, basta lançar os olhos sobre a história da Igreja e examinar a evolução pela qual ela passou ao longo dos séculos.”

Muito bom, né? Mas tem mais. Porém, fica para os próximos capítulos.

Erwin Wolf"



"A questão do partido

(...)

Hoje vamos apresentar um trecho de um artigo de Leon Trotsky, “ROSA LUXEMBURGO E A IV INTERNACIONAL” (Rápidas observações a respeito de uma importante questão), publicado em 1979, pela Kairós Livraria e Editora, como Introdução à obra “Greve de Massas, Partido e Sindicatos”, da grande revolucionária, um dos maiores nomes do Internacionalismo proletário, nascida em 5 de março de 1871, na  cidade de Zamosc, Polônia-russa, que se radicou na Alemanha, tendo militado nos partidos operários revolucionários polacos e alemães, como o Partido Revolucionário Socialista Operário polonês e o Partido Social-democrata alemão, tendo feito seu doutoramento em Economia Política na Universidade de Zurique, dedicou-se à luta contra o revisionismo do marxismo. “Proximo à revolução de 1905, refugia-se na Polônia, onde é presa e libertada sob caução”. Em 1906, publica a mencionada obra, que trata da Revolução Russa de 1905. “Regressando à Alemanha, leciona Economia Política na Escola do Partido Social-Democrata, resultando daí sua 
obra mais importante: Acumulação do Capital.”

“Em 1916, em colaboração com Liebknecht e Mering, funda a Liga Spartacus. Em fevereiro do mesmo ano é presa, sendo libertada em novembro de 1918, época em que se desencadeia a revolução na Alemanha. Na prisão escreve a brochura Junius, as Cartas de Spartacus; elabora a Introdução à Economia Política.

Participa na criação do Partido Comunista Alemão em dezembro de 1918.

Vítima da contra-revolução, Rosa Luxemburgo é presa em 15 de janeiro de 1919, juntamente com Liebknecht, sendo ambos assassinados pelas força governamentais.” (“NOTA BIOGRÁFICA” da Kairós Livraria e Editora).

Agora vamos destacar o texto de Trotsky. em que ele desenvolve mais a questão da crise de direção do proletariado num sentido mais “gramsciano”:

“(...) Podemos afirmar sem qualquer exagero: a situação mundial está determinada pela crise de direção do proletariado. O campo do movimento operário encontra-se ainda bloqueado pelas sobras poderosas das velha organizações falidas. Depois de numerosas derrotas e desilusões, o grosso do proletariado europeu encontra-se fechado em si mesmo.

O decisivo ensinamento que ele tirou, consciente ou semi-conscientemente, de suas amargas experiências é o seguinte: as grandes ações exigem uma direção à altura. Para os negócios do dia-a-dia os operários continuam a dar seus votos às antigas organizações. Mas apenas seus votos, em absoluto sua confiança ilimitada. Por outro lado, após a lamentável decomposição da III Internacional,  tornou-se muito mais difícil incitá-los a confiar em uma nova direção revolucionária. Nessa situação, recitar  um monótono canto à glória das ações de massas relegadas a um futuro incerto, com o único fim de opor a uma seleção consciente dos quadros para uma nova Internacional, significa realizar um trabalho reacionário do começo ao fim.

A crise da direção proletária não pode, evidentemente, ser resolvida por meio de uma fórmula abstrata. Trata-se de um processo cuja duração é extremamente longa. Mas trata-se não apenas de um processo “histórico”, isto é, das condições objetivas da atividade consciente, mas de uma série ininterrupta de medidas ideológicas, políticas e organizativas, tendo em vista unir os melhores elementos, os mais conscientes do proletariado mundial sob uma bandeira sem mácula, de reforçar cada vez mais seu número e sua confiança em si próprios, de desenvolver e aprofundar sua ligação com camadas cada vez mais amplas do proletariado, em uma palavra: conferir novamente ao proletariado, em meio a uma situação nova, extremamente difícil e cheia de responsabilidades, sua direção histórica. Os confusionistas da espontaneidade deste recente modelo têm tão pouco direito de fazer apelo a Rosa Luxemburgo quanto os burocratas do Comintern a Lenin. Se deixarmos de lado tudo aquilo que é acessório e já ultrapassado pela evolução, temos 
todo o direito de colocar nosso trabalho pela IV Internacional sob o signo dos “três L”, ou seja, não apenas o de Lenin, mas igualmente sob o de Luxemburgo e Liebknecht.” (Introdução de L. Trotsky, 1935, págs. 9/10, da referida obra de Rosa Luxemburgo, editada pela Kairós Livraria e Editora).

Erwin Wolf"

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