terça-feira, 10 de novembro de 2015

Observações sobre a ‘greve’ dos caminheiros e suas reais motivações

Esta manifestação muito se parece com protesto que terminou com o golpe de Salvador Allende na década de 70, no Chile

© foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil

Teve início ontem, segunda-feira (9), uma série de bloqueios organizados por caminhoneiros autônomos em diversos estados no Brasil inteiro. De acordo com a Polícia Rodoviária Federal houve manifestações nas estradas da Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Tocantins.

Neste segundo dia, a paralisação segue em nove estados. Segundo informações divulgadas amplamente pela imprensa televisiva, CE, GO, MG, MS, PR, RJ, SC, SP e TO registram bloqueios nas estradas.

Comandado por um grupo denominado ‘Comando Nacional do Transporte’, os manifestantes não representam nenhuma entidade de classe. Há uma semana, a Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos divulgou nota afirmando que “sempre manifestou apoio aos movimentos de interesse da categoria dos transportadores autônomos”, mas considera “imoral e repudia qualquer mobilização que se utilize da boa-fé dos caminhoneiros para promover o caos no país e pressionar o governo em prol de interesses políticos ou particulares”.

A União Nacional dos Caminhoneiros e a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logísticas – esta última filiada à Central Única dos Trabalhadores – também se manifestaram de forma contrária a este movimento, que na verdade se trata de um “lock-out”. Ou seja, uma manifestação de caráter patronal e golpista.

Os líderes deste protesto afirmam que representam a categoria e entre suas reivindicações esta o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Eles também reivindicam: redução do preço do óleo diesel, aumento do valor do frete, criação do salário nacional unificado, entre outras demandas.

Por não possuir uma liderança legítima, fica claramente caracterizado o verdadeiro intuito deste tipo de ‘greve’. Convenhamos... Não há nada de greve nesta história. O que querem estas pessoas, reunidas sob este título de ‘Comando Nacional do Transporte’, nada mais é do que desestabilizar o país com a finalidade de destituir a presidente Dilma. No mínimo estranho o fato deles não reclamarem dos altos preços do pedágio – em São Paulo, por exemplo, onde estão os mais caros pedágios do Brasil.

Contexto histórico
Em outubro de 1972, no Chile, caminhoneiros fizeram uma paralisação parecida. Não eram trabalhadores assalariados, eram caminhoneiros proprietários de frotas que decidiram parar o transporte no país com apoio da elite chilena e dos grandes empresários internacionais.

Conseguiram provocar o caos promovendo o desabastecimento de produtos de primeira necessidade e então a situação do presidente Salvador Allende começou a ficar insustentável. Dessa maneira, os golpistas de cá se inspiram e pretendem repetir a história no Brasil, em pleno 2015, para derrubar um governo eleito democraticamente.

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